Crânio humano é achado em frente ao velório da São Judas


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Crânio, pedaços de ossos, pano e canjica estavam em calçada da rua Francisco Marques ontem
Crânio, pedaços de ossos, pano e canjica estavam em calçada da rua Francisco Marques ontem
Uma cena macabra pode ser vista na manhã de ontem, 14, em frente ao velório da Igreja São Judas Tadeu. Um crânio, dois ossos, além de velas, panos pretos e dezenas de grãos de canjica foram abandonados em uma espécie de ritual de magia negra, segundo a polícia. 
 
O caso, registrado por volta das 9h30, depois de denúncia de um andarilho que costuma dormir próximo ao velório, chamou a atenção dos moradores do bairro Vila Nova, que acompanharam a ação da Polícia Militar. Assim que acionados, PMs interditaram a área até a chegada da Perícia Técnica. 
 
O caso foi registrado no 2º Distrito Policial como “ultraje a culto”. Segundo a Polícia Civil, os objetos estavam dispostos como um símbolo da morte. Por isso, os militares que atenderam a ocorrência desconfiam tratar-se de um ritual de magia negra. De acordo com informações, não foi localizado nenhum suspeito de praticar o ato. 
 
Para auxiliar a identificar quem montou a cena, a Polícia Civil deverá solicitar as filmagens de câmeras de segurança de estabelecimentos localizados na rua Francisco Marques. Tanto o crânio quanto os ossos foram apreendidos para possível identificação. 
 
Apesar de não existir nenhum cemitério na região ou denúncia de cova invadida, a suspeita é que o crânio e os ossos tenham sido retirados de alguma sepultura na cidade. Extraoficialmente, peritos confirmaram tratar-se de material humano.
 
Opiniões
Luciano Carlos Ranieri, mais conhecido como o pai de santo Luciano e adepto do candomblé, disse que o ritual encontrado não tem qualquer ligação com a religião. “O candomblé, assim como a umbanda tem um respeito enorme pelos mortos. Não podemos relacionar coisas como essa aos rituais que realizamos. Para nós, isso é sagrado. Até usamos canjica em alguns rituais, mas nesse caso não sei dizer qual foi a intenção de quem usou”, disse. “Se ao invés de um crânio humano tivessem usado um animal poderia ter ligação com a umbanda, mas não com o candomblé, pois são religiões diferentes”, completou.
 
O comerciante Amaro Olímpio da Silva, 43, proprietário do bazar Boa Sorte, disse que o ritual é, na verdade, fruto de pessoas desocupadas e pobres de espírito. “Esses material não tem significado. São pessoas pobres de espírito que realizam essas coisas. Somente aqueles que não têm conhecimento de umbanda e candomblé é que ligam isso às religiões. Infelizmente, esse tipo de coisa é comum, mas pelo conhecimento que tenho, acumulado em mais de quatro décadas, posso afirmar não se tratar de ritual relacionado às religiões citadas”, finalizou.

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