A Grécia deu ao mundo Sócrates, Platão, Aristóteles e outros tantos filósofos. Junto vieram os fundamentos da civilização e da cultura ocidental, em diferentes campos do conhecimento. Hoje a nação grega está em débito com o mundo, representando pela UE (União Europeia), Banco Central Europeu e FMI.
Sua situação econômica vem se agravando há cinco anos e, em 2014, com a chegada ao poder da esquerda liderada pelo Primeiro Ministro Tsipras, teve inicio uma onda de radicalização no relacionamento com a UE. Uma dívida total de 323 bilhões de euros, da qual 240 bi são para com o FMI, Banco Central Europeu e UE, supera seu PIB, estimado em 179 bi (2014). O montante devido à ‘troica’ FMI, BCE e UE é originário de repasses feitos ao país na tentativa de resgatá-lo da situação de penúria em que se encontrava. O primeiro plano de salvação foi em 2010, outro em 2012 . Em 2011 houve um perdão de dividas no valor de 100 bi com investidores privados. Não resolveu.
Em face da leniência no controle do gasto público, desmandos administrativos e condução errática da economia, a situação se agravou. No final de junho o país deu ‘calote’ no FMI, deixando de liquidar uma parcela de 1,6 bilhão de euros, colocando em risco a permanência da Grécia na UE.
O país convocou plebiscito e o povo grego deu suporte a seu governo para não aceitar duras exigências dos demais países europeus, mas também se deu conta de que era melhor permanecer na UE, aceitando algumas imposições e pleiteando abrandamento de outras.
A situação grega tem similitude com a do Brasil. Não temos dívida externa vencendo e nos atemorizando mas, em compensação, vivemos angustiantes condições de deficities nas contas públicas, inflação, desemprego e economia paralisada, com perspectivas de melhoras só lá para 2017 ou 2018. Será que vai acontecer aqui o que está ocorrendo na terra dos filósofos?
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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