Morte de garota de 14 anos completa um mês sem definição sobre causas


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Sepultamento do corpo da adolescente Eduarda Segismundo, no último dia 11 de junho, foi marcado pela tristeza e revolta
Sepultamento do corpo da adolescente Eduarda Segismundo, no último dia 11 de junho, foi marcado pela tristeza e revolta
A morte de Eduarda Stefani Segismundo de apenas 14 anos completou um mês, mas ainda não há esclarecimentos sobre a causa de seu falecimento. Um laudo do IML (Instituto Médico Legal) do dia 17 de junho foi liberado agora para a família e aponta óbito com causa indeterminada.
 
A falta de esclarecimentos sobre a morte da menina aumenta a angústia e a revolta dos familiares. “Não saber do que ela morreu, não ter uma explicação plausível me deixa muito triste. Por mais doloroso que seja, quero saber o que aconteceu”, disse o pai de Eduarda, o comerciante Adriano Segismundo, 38.
 
A menina morreu no dia 9 de junho após passar três vezes pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e ser internada na Santa Casa. Para a família, houve negligência médica no atendimento do PS, e a demora para obter um diagnóstico contribuiu para a morte da adolescente.
 
A mãe de Eduarda, que ficou fortemente abalada após a tragédia, falou ontem pela primeira vez com a reportagem do Comércio. “Cada dia que passa, fica pior a dor que eu sinto por ter perdido minha filha. Ela era minha companheira em tudo. A falta que ela faz é muito grande”, desabafou a lojista Vanilda Segismundo, 38.
 
O irmão mais novo de Eduarda, Adriano Segismundo Filho, 12, também não conseguiu superar a perda. Após a morte de sua irmã, ele ficou alguns dias sem conseguir ir à escola - os dois estudavam na estadual “Homero Alves”. “Já teve noite que tive que passar acordada com meu filho chorando, eles eram muito próximos”, disse a mãe.
 

Eduarda Stefani Segismundo
 
O laudo do IML aponta um possível diagnóstico da morte, que seria “choque séptico por infecção urinária”. O choque séptico pode ser entendido como uma infecção generalizada com alteração da pressão arterial. O documento ressalta que estão sendo aguardados exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. Foram colhidos fragmentos de órgãos como fígado, pulmão, rins e vesícula biliar para a detecção de possíveis doenças e também serão feitos exames toxicológicos.
 
Na Santa Casa de Franca, onde ela permaneceu internada durante algumas horas, também havia suspeita de infecção generalizada (sepse) por infecção de urina. No hospital, o quadro clínico também revelava suspeita de inflamação na vesícula biliar. No laudo do IML, não foram observados cálculos renais pelos exames feitos após o óbito.
 
Em nota, a Superintendência da Polícia Técnico-Científica informou que “os exames toxicológico e anatomopatológico estão em elaboração”. 
 
Investigações
As investigações sobre o caso Eduarda continuam na Polícia Civil e no Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) de Franca. O pai de Eduarda registrou um boletim de ocorrência de morte suspeita após a tragédia.
 
O Cremesp abriu uma sindicância para apurar o caso. Médicos e familiares ainda estão sendo ouvidos. “No final pode ser aberto um processo na Justiça comum ou o caso ser arquivado”, afirmou o delegado regional do Conselho, Ulisses Minicucci.
 
Na Polícia Civil, o delegado Luís Carlos da Silva, do 1º Distrito Policial, também segue apurando o caso. “Estamos ouvindo todas as partes envolvidas e aguardando o laudo dos exames do IML”, disse o delegado.
 
Não há prazo para o término desses procedimentos que investigam se houve erro ou não no atendimento prestado a Eduarda na Rede Pública de Saúde.
 
A resposta da Prefeitura para a demora na internação é que Eduarda “estava sendo monitorada e realizando exames complementares a critério médico”.

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