Morreu aos 92 anos Cirilo Barcellos, referência da medicina regional


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Cirilo Barcellos será sepultado em Patrocínio Paulista (SP), sua cidade natal
Cirilo Barcellos será sepultado em Patrocínio Paulista (SP), sua cidade natal
Morreu às 8h30 de ontem, sábado, no Hospital Regional de Franca, o conceituado e reconhecido médico Cirilo Barcellos, aos 92 anos. Foi internado pela família às 6h30, com insuficiência respiratória e problemas renais. O atestado de óbito registrou falência múltipla de órgãos. Há dois anos, já debilitado pela idade e em tratamento de um tumor, decidiu-se por recolher-se à sua casa, desistindo de paixão que nunca deixou de lado, suas caminhadas, quase invariavelmente em direção ao Hospital Regional, instituição que ajudou, literalmente, a criar. 
 
Estava viúvo há um ano de Cacilda Barcellos, depois de 63 anos de enlace. Do casamento nasceram quatro filhos (Vera, viúva de Joviano Moraes Jardim; Cirilo Júnior, casado com Flávia Haddad França; Márcia, casada com Roberto Rached Sobrinho; Silvia, casada com Paulo Sérgio Cardoso), seis netos (Daniel, casado com Mariana Junqueira; Ana Luiza; Marina, casada com Ricardo Cassillas; Ricardo, casado com Raquel Wolf; Eduardo, casado com Monique Ferrara; e Natália) e três bisnetos, Miguel, Fábio e Augusto.
 
Era natural de Patrocínio Paulista (SP), filho do cartorário José Barcellos e Anestésia Barcellos. Desde cedo vocacionado à medicina, foi estudar na escola referencial de sua época, a Faculdade de Medicina da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.
 
Formou-se clínico geral, ginecologista e obstetra em 1950. Estabeleceu-se em Franca, atuando na Santa Casa de Misericórdia e abrindo consultório na praça Nossa Senhora da Conceição, onde hoje está o edifício-sede do Santander. Demonstrou rapidamente como viria a e-xercitar a medicina: reservou as quintas-feiras para atender gratuitamente pacientes que não tinham condições de pagar consultas. Aliás, segundo a família, até tratamentos ele se dispôs a acompanhar e a sustentar financeiramente. A divulgação de seu comprometimento com carentes correu a região. Cirilo me contou em entrevista de rádio, há alguns anos, que seus pacientes que não podiam pagar o preço de consultas, mas vinham de fazendas e mesmo de outras cidades, traziam-lhes verduras, frangos, e que isso o encantava. 
 
Seu genro Paulo Cardoso disse que era assim mesmo: ‘meu sogro era um médico comprometido com a humanidade, incapaz de deixar sem consulta e tratamento quem precisasse. Era um sa-cerdote da profissão. Até uma década atrás, mesmo se distanciando do exercício efetivo da profissão em função da idade, ainda estudava’.
 
Sua família tem estatísticas dos partos por ele realizados (alguns, em fazendas): ‘foram mais de 25 procedimentos, pessoas que nasceram por suas mãos e competência, cresceram e se tornaram seus amigos’.
 
Queria mais, no entanto. ‘Colocou na cabeça que tinha que construir um hospital em Franca, e dedicou-se incansavelmente a esse sonho’, disse Paulo. Encontrou no empresário do setor cafeeiro, Antônio Rodrigues Neto (avô do cardiologista e ex-presidente do Hospital Regional, Sátiro Rodrigues Alves), parceiro cidadão e lançou-se à execução. Paulo Cardoso contou que para fazer frente às despesas crescentes, Cirilo não pensou duas vezes e hipotecou sua casa. Quitou empréstimos conseguidos desta forma até 1989. O perfil do médico, proativo e idea-lista, contagiou outros profissionais da medicina, e, aos poucos, passaram a integrar o grupo que, em 9 de julho de 1967, inauguraram o novo hospital com a presença do cardiologista Adib Jatene, amigo pessoal de Cirilo. Como registro histórico, sua morte ocorreu apenas dois dias depois da comemoração dos 48 anos do hospital que foi sua obra mais acalentada.
 
Cirilo foi torcedor apaixo-nado pelo futebol, especialmente pela Associação Atlética Francana. Foi o médico do acesso do clube à Primeira Divisão do futebol paulista, em 1977. Paulo Cardoso comentou que o sogro nunca deixou a Francana de lado, atento a ajudar quando fosse necessário. ‘Quando o empresário Riad Salloum assu-miu a presidência do clube, o Dr. Cirilo foi solicitado e não pensou duas vezes. Fosse debaixo de sol ou de chuva, voltou a ser visto no campo de jogo cuidando dos atletas.’
 
Como cidadão, fez política. Candidatou-se a deputado e a vereador. Mesmo com votações expressivas, não chegou a exercer os cargos. Foi, entretanto, vice-prefeito de Franca na gestão do prefeito Flávio Rocha. 
 
O velório está acontecendo na sala 3 do São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Tedesco, acontecerá no Cemitério Municipal de Patrocínio Paulista, com saída de Franca às 09:30 horas de hoje. 

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