Um levantamento divulgado pela Coordenadoria da CDHU (Companhia para o Desenvolvimento Habitacional Urbano) mostra que, na região de Franca, que abrange 22 municípios, existem 18 mil famílias cadastradas à espera do financiamento da casa própria.
O município com maior número de famílias na fila é Franca. Segundo o estudo, na cidade, 11 mil pessoas sonham se livrar do aluguel e ter um lugar próprio para morar. A maioria com renda abaixo dos três salários mínimos.
Roberta Souza Bardoci, de 23 anos, é uma das que aguardam ansiosamente a chance de comprar uma casa para sua família. Ela, os pais e irmãos atualmente moram de favor na casa emprestada pelo patrão do pai. “Quero muito ter um lugar só nosso”. Roberta fez inscrição na Central da Habitação no começo do ano passado. Ela também espera ser sorteada para poder se casar. “Além dos meus pais, também namoro. Estamos apenas esperando ser sorteada para nos casarmos. Meu namorado viria morar com a gente”.
Para o coordenador da CDHU e ex-deputado estadual Gilson de Souza (DEM), o número é alto. “Temos muito o que evoluir ainda. O governo estadual, por meio da CDHU, tem construído e entregue 40 mil unidades por ano, mas poucas são as cidades com menos de 20 mil (o caso da maioria na região de Franca) que são contempladas”.
O maior entrave, segundo ele, é a definição de áreas para os conjuntos habitacionais. “A CDHU tem exigências rígidas para garantir a segurança das construções, não é qualquer terreno que reúne as condições ideais para a construção dos conjuntos. São vários estudos de impacto, de solo e de custos antes do ‘OK’. E nem sempre as áreas apontadas pelas prefeituras podem ser utilizadas”.
Outra dificuldade é a burocracia que envolve a assinatura dos convênios. “Desde que assumi a coordenadoria, tenho conversado diretamente com dezenas de prefeitos. A maior queixa é a burocracia. Muitos processos poderiam ser simplificados para agilizar a construção dos imóveis”, disse Gilson de Souza.
Para amenizar o problema, ele e o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia, estão preparando uma série de alterações nos procedimentos. “A ideia central é tornar tudo muito mais ágil”, disse.
Apesar de ter o maior déficit habitacional, Franca é um dos poucos municípios que não protocolaram qualquer pedido de novos conjuntos, segundo Gilson. “Para a cidade, infelizmente, não há nada previsto até 2017”. Cidades vizinhas como Itirapuã, Patrocínio Paulista São José da Bela Vista possuem projetos ou em andamento ou em fase de aprovação.
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