Abrir mão do tempo livre proporcionado pela aposentadoria para continuar tocando o próprio negócio é uma decisão que costuma exigir coragem. Dar uma guinada radical em uma carreira profissional estável para abrir o próprio negócio depois dos 50 anos parece requerer uma valentia ainda maior. De um modo ou de outro, números do Portal do Empreendedor - do Governo Federal - mostram que esses são perfis marcantes dos francanos, uma vez que, dos 11.122 Microempreendedores Individuais registrados neste primeiro semestre em Franca, 2.083 (quase 19%) possuem mais de 50 anos.
Alguém capaz de ilustrar este espírito empreendedor na cidade é a hoje decoradora e microempresária Sônia Darc Retuci, 60. Após passar mais de 15 anos atuando como representante comercial no setor de vestuário, ela decidiu, quando tinha 50 anos, mudar os rumos de sua vida profissional e apostar em um dom até então trabalhado com hobby. “Os conhecidos sempre me pediam opinião para decorar suas casas, suas festas, vitrines - e eu adorava. Ficava pensando nas combinações de cores, em como harmonizar os mobiliários...”, disse Sônia. “Não é que eu não gostasse do meu trabalho como representante, mas não era minha verdadeira paixão. Aí, chegou um momento na minha vida em que eu simplesmente não quis mais! Aproveitei o fim do meu vínculo com a empresa para qual trabalhei por mais de 15 anos e montei minha loja de presentes e decorações: a Tutti Frutti Decor”, contou sobre o fim de seu ciclo como funcionária.
Ainda de acordo com Sônia, seu início à frente da loja se deu de forma amadora, baseado principalmente em seu próprio feeling. No entanto, um ano após ter se aventurado em um novo ramo, viu surgir do mercado a necessidade de se capacitar. “Foi quando procurei o Senac, em 2006, para me profissionalizar. Hoje, mesmo já estando no mercado há dez anos, penso em me organizar para procurar ainda pelo Sebrae porque acho importante se manter atualizado”.
Sobre o impulso definitivo para iniciar seu negócio já aos 50 anos, Sônia afirma que a idade nunca se interpôs como fator de dificuldade para ela. “Minha idade não me trouxe nenhuma dificuldade para entrar no mercado. Na verdade, acredito é que me trouxe mais credibilidade”, afirmou ela, ao reforçar que o principal mesmo é ter força de vontade, dedicação e se manter atualizado. “É preciso pesquisar para saber o que o cliente está buscando e oferecer isso a ele. E depois persistir”.
Para os interessados em iniciar os seus próprios negócios, o Sebrae mostra dicas sobre os primeiros passos para alcançar a autonomia (leia mais abaixo).
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