Se Deus é todo amor e justiça, por que permite tanto sofrimento? Indagação frequente entre aqueles que se põem à margem do Evangelho, sendo também de lamentar-se que algumas doutrinas, esquecendo-se de João (4:24): Deus é espírito, apresentam-No mais humano do que celeste. É certo que as religiões propõem idealizar harmonia entre o homem e o Criador, mas, é certo também que a nossa essência espiritual é potencialmente perfeita, de onde se conclui que a semelhança divina repousa no espírito e não no corpo, mero instrumento de auxílio no processo evolutivo.
Séculos passam, a ciência mostra, conceitos mudam, mas, ainda em nossos dias, referências religiosas a um Deus antropomorfo insistem em semear dúvidas. Humanizam o Criador e erguem à sublimidade o homem na sua forma bruta, porque descartam a realidade do espírito. Como a fé há de ser sentimento absoluto, só pode admitir o Pai Amoroso como detentor de virtudes superlativas, absolutas, que afastam toda e qualquer possibilidade de existirem agentes plenipotenciais do mal.
Se há, ainda, crenças em deuses particulares para cada natureza dos acontecimentos, vem o Espiritismo e esclarece que o mal é obra do homem e não de Deus, razão porque ele é transitório. Quando estabelecemos o clima da fé e da caridade nos ambientes que nos são dados a assistir, o mal, que lhe é incompatível, simplesmente desaparece.
Assim, o sofrimento não é senão efeito de iniquidades causais que tenhamos perpetrado, demonstrando falso o dito popular de que ‘há males que vêm para bem.’, para corrigir a: ‘todos os males vêm para bem’. Que se acrescente que o sofrer é remédio a nos acudir justamente naquilo em que falhamos, posto que sua natureza corresponde, justamente, à natureza e à intensidade do sofrimento que tenhamos causado. A eficácia da correção, todavia, requer aceitação, resignação e, sobretudo, aplicação, qual a do aluno que, diante de uma lição que, se não bem aproveitada, deverá repeti-la.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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