Consultas ginecológicas em pelo menos 3 UBSs são marcadas para 2016


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Discurso do prefeito Alexandre Ferreira não condiz com sofrimento dos usuários da rede pública
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Os usuários de pelo menos três grandes UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Franca têm sofrido com as longas filas de espera para agendamento de consultas com especialistas. Segundo relatos da população que utiliza os serviços das unidades do Ângela Rosa, Estação e Vila São Sebastião, consultas ginecológicas só são marcadas para 2016. 
 
“Estou grávida de sete meses e não consigo agendar um ginecologista. Minha última consulta, que fiz na UBS da Estação, aconteceu no dia 3 de junho e a próxima estava marcada para o dia 21 deste mês, mas isso não vai acontecer”, afirmou a sapateira Débora Alves. “Disseram (funcionários da UBS) que o ginecologista que me atendia operou o nariz e não tem data para voltar. Também não colocaram nenhum outro médico no lugar nem têm previsão para isso.” Ainda de acordo com ela, uma tentativa de dar continuidade ao seu pré-natal também foi feita, em vão, na unidade da Vila São Sebastião. “Lá, disseram que só marcam para o ano que vem. Aí vai ser tarde demais, né?”
 
Na UBS do Jardim Ângela Rosa, a situação se repete. A dona de casa aposentada Nadiva Dias Corrêa diz que há 15 dias procurou por atendimento nesta unidade e foi informada de que as consultas só seriam marcadas para 2016. “Há mais de dois anos que não me consulto, mas agora estou precisando. Tentei a rede particular e a consulta mais barata que achei custa R$ 250. Ganho um salário mínimo; esse valor é muito alto para mim.” Assim como Nadiva, a coladeira Daiane Aparecida Inocêncio também teve seus planos de atendimento frustrados na UBS do Ângela Rosa. “A cada vez é uma história. Uma hora o ginecologista está de férias; outra, a agenda dele não está aberta; e outra, não tem vaga. Não consegui agendar!”
 
Embora a falta de ginecologista pareça ser o problema mais marcante das UBSs, consultar-se com um clínico geral também não tem sido fácil, segundo relatos. A cuidadora Maria Lúcia Carvalho Chaves é diagnosticada com fibromialgia - uma doença que provoca dores nos tecidos fibrosos e muscular - e faz uso frequente de medicamentos que só podem ser vendidos sob prescrição médica. Devido à demora para agendar sua consulta, há dois meses vem sofrendo com as dores da doença. “Passei pelo médico, pela última vez, em março deste ano e só consegui marcar uma nova consulta agora, para julho. Sem os remédios, fica difícil trabalhar.”
 
As narrativas de dificuldade de atendimento não se restringem às UBSs. No último dia 1º, o Comércio trouxe uma matéria em que usuários da Casa do Diabético também relatavam casos de adiamento nos agendamentos. A unidade que já foi referência na área não conta hoje com especialistas e os atendimentos estão por conta de dois clínicos gerais e um pediatra, de acordo com os usuários. Como consequência, as consultas são remarcadas para o fim deste ano e 2016.
 
Prefeitura
Em virtude do feriado de 9 de Julho, que na Prefeitura se estende até segunda-feira, a Secretaria de Saúde não pôde ser contatada.

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