Nem de longe foi uma feira para se empolgar, mas levando em consideração a crise econômica que assola o país, a 47ª edição da Francal contribuiu para impulsionar as vendas do setor calçadista de Franca no segundo semestre. A feira foi menor do que nos anos anteriores, teve menos expositores e viu a quantidade de compradores cair. Mesmo assim, as empresas que conseguiram aliar inovação, qualidade e preço fecharam bons negócios. Algumas das grandes fábricas francanas, como a Calvest, comemoram os resultados. Na média, a avaliação ficou entre bom e regular. Há, também, os empresários que voltaram decepcionados para casa.
A Francal foi realizada de segunda a quinta-feira passadas no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo. Os dois primeiros dias - principalmente, terça - foram considerados os melhores. O encerramento, no feriado de 9 de julho, teve uma visitação fraca. “Desde o fim do ano passado, já pressentíamos dificuldades para a realização da feira. Não dificuldade de nossa parte, mas do mercado. O turbilhão dos problemas políticos e econômicos do Brasil pegou a Francal de cheio”, disse o presidente da feira, Abdala Jamil Abdala. Para tentar incentivar a presença de compradores, a organização bancou a presença de 207 importadores e de cerca dos 400 maiores lojistas do país.
Segundo a organização, foram 15,8 mil lojistas do país, 43 mil profissionais e 1.205 lojistas estrangeiros, de 64 países.
Nem todos convidados atenderam ao convite; já os que foram compraram. “A feira, para nós foi excelente, a expectativa não era das melhores por causa da economia, mas o resultado nos surpreendeu”, disse o gerente comercial da Calvest, Paulo Henrique Geminiano. Para ele, a Francal superou as edições, pelo menos, dos três últimos anos, mesmo tendo diminuído o público. A empresa informou ter vendido em torno de 60 mil pares. Nos próximos meses, a equipe de funcionários deve se manter a mesma, sem contratações ou demissões.
Osvaldo Filho, diretor comercial da Samello, aprovou a Francal. “A feira foi boa, diminuiu de tamanho, mas nosso objetivo foi alcançado que era vender dois meses de produção, sendo que produzimos em torno de 800 pares por dia.”
Fernando Wenceslau, gerente-comercial da Clave de Fá, disse que, apesar de ter sido menor, a feira foi boa. “Estamos saindo contentes. Fizemos em torno de 150 atendimentos durante esses quatro dias de feira, sendo que o segundo dia foi o mais movimentado, com 60 visitas. Nem todos compraram, mas cada visita dessa paga meu estande.”
Na opinião de Toni Salloum, o setor de exportação foi o que garantiu as melhores vendas, representando 80 % dos negócios realizados. “A feira foi satisfatória, um pouco mais fraca que outras edições, mas isso reflete a situação de todo país.”
A gerente comercial da Ferricelli, Ana Maria de Souza, classificou a feira como satisfatória diante da baixa expectativa pela crise econômica. “A visitação foi bem menos que em anos anteriores, mas com empenho vamos ter um segundo semestre melhor.”
Para a Rafarillo, a Francal foi boa, mas ficou abaixo da edição do ano passado. As negociações caíram cerca de 30% em relação a 2014. “Conseguimos alcançar cerca de 50% da meta de vendas”, disse o coordenador de Marketing, Ronilson Andrade. Ele disse que os compradores estão preferindo comprar nas suas regiões em vez de se deslocarem para São Paulo.
“O movimento foi razoável e ficamos satisfeitos, porque fechamos bastantes negócios com o mercado externo”, disse o diretor da Villioni, Adilson Pimenta.
Entre as empresas que se decepcionaram com a feira está a Sapatoterapia. Ronaldo Souza, gerente-comercial, afirmou que a Francal foi ruim. “Vendemos muito menos que esperávamos. Estava muito vazio.” Ele disse que a participação na feira não movimentou mais negócios que os períodos normais de venda. A presença no próximo ano ainda não foi definida.
O presidente da Francal disse que o balanço da feira foi positivo, mas com os pés no chão. “A Francal não resolveu o problema da crise, mas começou a dar um empurrãozinho para que esta crise fosse afastada do nosso setor. Isso, tenho certeza, aconteceu. Vamos começar a recuperar as exportações a curto e médio prazos. Lamentavelmente, a recuperação do mercado interno vai levar um pouco mais de tempo.”
Durante a feira, o IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industriais) divulgou um relatório setorial da indústria de calçados no país. Marcelo Villin Prado, diretor da entidade, disse que o setor vai ter dois anos de deserto. Isso quer dizer que não haverá crescimento no período por conta de recessão. Ele afirma que a responsabilidade do crescimento sairá do mercado e passará para a mão das empresas. “É preciso sair da zona de conforto. Serão melhores sucedidos aqueles que conseguirem se diferenciar, se inovar, renovar, se reinventar num mercado bem competitivo.”
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