Só soube do falecimento do Sr. Sebastião Duarte Campos, que conhecíamos, lá em Cássia (MG) como Tião Borges, e Tião da Farmácia, lendo o obituário do jornal A Vanguarda, de nossa querida cidade mineira. Foi casado com dona Alda Campos, também já falecida, com quem teve uma única filha, a senhora Marta, casada com o Bentão.
Foi meu primeiro patrão, e do primeiro emprego a gente não esquece. Fui admitido a pedido de meu pai — e sem maiores formalidades —, como menor aprendiz na Farmácia Santa Rita de propriedade de ‘seu’ Tião. Naquela época a farmácia estava localizada entre as ruas Liberdade e Astolfo de Oliveira Filho, e o farmacêutico responsável era o sr. Tavico.
Trabalhava apenas no período da tarde. De manhã estudava no Grupo Melo Viana. As minhas funções consistiam em atender os clientes, sempre com supervisão disposta a ensinar do sr. Tião e de Binho, Oficial de Farmácia experiente. Também era minha a função de entregar medicamentos em domicílio, levar e receber as contas mensais dos clientes.
Trabalhei lá por aproximadamente um ano convivendo diariamente com o Sr. Tião. Ele era pessoa de trato fácil, educado e dono de um ótimo senso de humor. Muito me ensinou, e com ele muito aprendi.
Confesso que só o via irritado quando o seu Cruzeiro Esporte Clube, time do coração, sofria um revés no campo de jogo, especialmente em confrontos com o Atlético Mineiro.
Com a sua aposentadoria, a farmácia foi fechada. Guardo, porém, ótimas lembranças dos ‘altos papos’ de seus assíduos frequentadores, infelizmente todos já falecidos: senhores Azarias, Orlando de Freitas, ‘Sô’ Chiquito, Waldomiro Faleiros, Quinca Borges, Zezinho Bento, Sebastião Brandão, Alacir Mahalem, dentre tantos outros. O tema preferido não mudava: era apolítica, especialmente a política cassiense.
Externo a seus familiares minha eterna gratidão. Rogo para que o Grande Arquiteto do Universo os conforte pela grande perda.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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