Nem com a aprovação das medidas de ajuste fiscal, consideradas pelo governo como essenciais para o controle da inflação e a retomada do crescimento econômico pelo País, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) dá sinais de arrefecimento. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ainda estamos na metade do ano, mas o índice oficial de inflação já beira o limite de tolerância de 6,5% da meta perseguida pelo governo. Trata-se do maior resultado para o período desde 2003. Nos últimos 12 meses, a inflação pesa ainda mais, com alta de 8,89% — na região metropolitana de Curitiba, já supera dois dígitos. Em julho, a projeção é de que o IPCA geral ultrapasse os 9,0%. Já estão no radar aumentos na energia elétrica em São Paulo e nas taxas de água e esgoto em sete regiões.
Embora a rodada maior de preços administrados (água, luz e combustíveis) tenha ficado para trás, não há grandes esperanças de que a inflação se retraia nos próximos meses. Em pleno inverno, uma série de produtos deve sofrer reajustes acima do esperado, o que deve contribuir para que o IPCA mantenha a mesma evolução dos últimos meses. A expectativa é de que o Copom (Conselho de Política Monetária) do BC (Banco Central) mantenha a elevação da taxa Selic em suas próximas reuniões, a única tentativa do governo em reverter a alta da inflação. Não há, pelo menos por enquanto, algo que se possa fazer para reduzir a taxa. Hoje, resta rezar para que as medidas de ajuste fiscal surtam efeito e a tendência atual seja ao menos refreada.
O Brasil, hoje, convive com índices negativos nos setores mais sensíveis da sua economia. Além da alta dos preços que deixa a inflação perigosamente perto dos dois dígitos nos últimos doze meses, a queda na produção tem elevado o desemprego que, consequentemente, produz uma inadimplência recorde. E tudo isso afeta os demais setores, como o de varejo e o de serviços. O Planalto tem somente uma bala (o ajuste fiscal) para abater a fera (a retração econômica) e não se tem certeza de que ela será suficiente. O povo brasileiro está pagando a conta de uma política econômica inadequada que faz explodir agora tudo o que foi feito de errado nos últimos anos. Pelo menos no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) não houve qualquer tentativa, além da chamada contabilidade criativa do Tesouro, em apresentar índices positivos.
Resta a todos nós, agora, a esperança de que o último pacote do governo consiga pelo menos reduzir a retração no mercado de trabalho. Espera-se também que algo mais seja feito, principalmente no sentido de reduzir o peso da máquina pública que consome pelo menos cinco meses de trabalho do brasileiro com o pagamento de impostos. Uma reforma tributária é necessária para reduzir o peso no bolso do trabalhador. Nesse sentido é preciso que haja justiça fiscal, pois o brasileiro não recebe de volta, em termos de serviços públicos de qualidade, todo o dinheiro que destina aos governos federal, estaduais e municipais. Se nada for feito, com certeza fecharemos 2015 em situação muito pior que a vivida na atualidade. Que Deus nos ajude!
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