A família de Paulo Sérgio Silva, de 45 anos, está processando a Prefeitura de Franca por negligência. Na ação, a mulher e os dois filhos de Paulo pedem R$ 264,8 mil de indenização pela morte do paciente.
Segundo o advogado Hélio do Prado Bertoni, que representa a família, Paulo tinha problemas no coração e sofria com o alcoolismo. Na noite de 10 de outubro de 2011, ele passou mal e foi levado pela mulher ao antigo Pronto-socorro “Dr. Janjão”. “Lá eles verificaram que ele estava com hipoglicemia e necessitava de um respirador com monitoramento”, disse Bertoni.
O advogado conta que, por cerca de duas horas, Paulo permaneceu no aparelho de respiração e monitoramento, mas, com a chegada de uma paciente idosa que também precisava do aparelho, por volta das 22 horas, os médicos decidiram tirar o equipamento e passá-lo para a senhora. “Eles o deixaram sozinho na maca da sala de observação. Só a mulher dele ficou ao lado da cama. Não demorou e ele começou a passar muito mal. Ela acionou a enfermagem e os médicos. Como ninguém apareceu, ela foi procurá-los”, narrou o advogado.
De acordo com ele, ao retornarem para a sala onde estava o marido, uma das enfermeiras chamou os médicos que tentaram reanimá-lo. Sem sucesso. Paulo morreu menos de uma hora depois da retirada do equipamento. “No prontuário, os profissionais anotaram a retirada do aparelho de monitoração e as razões da medida. Não houve pedido de transferência de Paulo para a Santa Casa ou qualquer exame que apontasse que o estado de saúde dele já era estável e não haveria mais a necessidade do equipamento. No nosso entendimento, houve negligência”, afirmou Bertoni.
A reportagem teve acesso ao prontuário do pronto-socorro em que, de fato, consta o momento da retirada e os motivos.
O advogado conta que a família só decidiu entrar na Justiça depois que teve acesso ao prontuário. “Na verdade, a mulher do Paulo me procurou por conta de um processo de pensão por morte. Solicitei alguns documentos sobre o falecimento. Entre eles, o prontuário. Ao ler, ficamos surpresos. Ela decidiu, então, procurar a Justiça para a indenização.”
A reportagem tentou conversar com a viúva, mas ela não atendeu ao celular.
No final da tarde dessa quarta-feira, também foi enviado um e-mail para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Assessoria de Comunicação da Prefeitura para que comentassem o caso, mas não houve resposta.
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