Cinco anos depois, vítima do Padre Dé ainda espera justiça


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Padre Dé está livre graças a um recurso apresentado ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Padre Dé está livre graças a um recurso apresentado ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Em março de 2010, a vida de um garoto com então 14 anos virou de cabeça para baixo. Junto com outros três colegas, ele procurou a delegacia para denunciar um crime. Eles denunciaram que há meses estavam sendo molestados sexualmente pelo padre José Afonso Dé, à época com 75 anos. O caso ganhou repercussão. Por meses, a vida do garoto foi revirada. Um ano depois, veio a sentença judicial. Em 2011, Padre Dé foi condenado a 60 anos de prisão. Deveria ser o fim de um drama. Não foi. 
 
Passados quase cinco anos, o padre permanece livre. Em sua casa, no Jardim Consolação, no Centro da cidade, ainda recebe grupos de fiéis e também costuma visitá-los. No início do mês passado, comemorou seus 80 anos com uma festa para os mais íntimos. 
 
Para o garoto, hoje um jovem de 19 anos, o que fica é a sensação de impunidade. “Sei que nada vai acontecer. Ele já está com 80 anos e não está preso. Então, a única coisa que me resta é seguir com a minha vida”, disse o rapaz, que ainda teme o preconceito e não quer ser identificado. “Na época que o escândalo estourou, sofri muito. As pessoas achavam que eu estava mentindo. Me acusavam como se o culpado fosse eu. No meio religioso, também fui hostilizado. Não quero passar por tudo isso outra vez”.
 
Ele ainda é ligado às instituições católicas e sonha ser padre. “Não desisti. Me decepcionei muito com tudo o que aconteceu, mas sei da minha vocação. Esse é meu sonho”, disse. 
 
Sobre a Justiça no Brasil, ele lamenta a morosidade com que os processos caminham. “No começo, queria muito que ele fosse para a cadeia. Queria que ele fosse punido. Na verdade, ainda quero, mas sei que não vai acontecer. Já se passaram cinco anos e nada.” 
 
Padre Dé está livre graças a um recurso apresentado ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que ainda não foi julgado (leia mais em texto nesta página).
 
O rapaz nunca mais teve contato com o seu agressor. “A última vez que o vi foi no dia em que ele foi condenado. Nunca mais o encontrei”. 
 
A respeito de seus sentimentos sobre o religioso, ele disse sentir muita pena. “Tenho dó dele. Um sentimento de compaixão por ele ser como é. Um homem tão carente afetivamente e tão sozinho. Não consigo sentir ódio. Só pena”. 
 
Padre Dé foi procurado em sua casa, mas não foi encontrado. Um homem que não quis se identificar informou que ele não estava em casa e que teria ido visitar fiéis. 
 
Desde a condenação, ele está afastado de suas funções na paróquia.
 

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