O Estádio Nacional, em Santiago, estava totalmente tomado no último sábado. As bandeiras nas cores vermelho e branco, com uma grande estrela em fundo azul, tremulavam galhardamente e os gritos da ‘Viva Chile’ se faziam ouvir com estardalhaço. Era a partida final da Copa América, na qual o país andino acabou vencedor, superando a Argentina. Mas não vamos falar de futebol e nem tampouco da Conmebol ou da Fifa, que vivem maus momentos.
Chamou-nos a atenção a alegria, a vibração, o entusiasmo do povo chileno com sua seleção, evidenciando a identificação do cidadão daquele país com o time e, por decorrência, com a própria nação. O Chile é um país pequeno, tanto em área (756.096 Km2), como em população (cerca de 18 milhões de habitantes em 2014). Seu PIB em 2013 chegou a US$ 277 milhões. Culturalmente, contabiliza dois prêmios Nobel em literatura. Simultaneamente à celebração futebolística, há outro aspecto digno de registro: a redenção, pela democracia, do Estádio Nacional que, nos aterrorizantes anos da ditadura (1973 a 1989), serviu como prisão e palco de muita violência contra oponentes do regime.
Pode-se tirar daí preciosas lições: a do desenvolvimento, do patriotismo e do orgulho nacional. O Chile exibe atualmente dados positivos em vários indicadores. A economia cresce, em média, 4,6%. Em 2012, 99% da população tinha acesso à água potável e aos serviços da rede sanitária; a taxa bruta de matrículas para todos os níveis de idade era de 87% e a de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais chegava a 98,6%. O IDH em 2013 foi de 0,822. Tais indicadores fazem inveja a muitos países.
O grito de ‘Viva Chile’, bandeiras desfraldadas, foi um viva à democracia e ao progresso, perfeitamente integrado na economia mundial, com vinhos de alta qualidade, frutas e pescado, além do cobre. Seus cidadãos, ao festejar a Copa América, mostraram orgulho por serem chilenos. Quando será nossa vez?
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA-USP
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