Depois de meses de um mutismo gritante, quando o assunto tratava da Operação Lava Jato, e da situação difícil da economia brasileira, a presidente Dilma Rousseff (PT) resolveu abrir a boca e defender sua posição num momento em que as investigações dos desvios da Petrobras chegam bastante perto do Planalto, com denúncias de que o dinheiro da estatal irrigou o caixa de suas duas campanhas eleitorais, colocando alguns de seus ministros e muitos aliados sob suspeita. Antes disso, a presidente só tinha se manifestado a veículos de imprensa do Exterior, mas agora resolveu reagir aqui mesmo no País, depois de ouvir os líderes petistas e de partidos aliados.
Na última segunda-feira, Dilma classificou como “‘golpista” a pregação por sua saída do governo e disse que defenderá “com unhas e dentes” o mandato para o qual foi eleita. Um dia depois da convenção do PSDB, na qual tucanos sugeriram novas eleições antes de 2018, ela orientou ministros, presidentes de partidos, deputados e senadores da base aliada a afastarem com vigor a articulação de adversários pelo impeachment, carimbando a iniciativa como ‘golpe’. Trata-se da mesma tese que o presidente do PT Rui Falcão e aliados da chefe da Nação utilizam desde que as investigações foram aprofundadas pela Justiça Federal; e desde que as delações de empreiteiros esclareceram a proximidade de suas empresas com legendas partidárias e políticos que sustentam a base do atual governo.
‘As pessoas que estão fazendo delação premiada vão ter de provar o que estão falando’, disse Dilma em conversas reservadas. Foi uma referência a depoimentos de empreiteiros que afirmaram ter dado dinheiro desviado da Petrobrás para o PT e para as campanhas de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O problema - e a presidente parece desconhecer - é que a maioria das denúncias são comprovadas através de documentos, principalmente financeiros, por causa do trabalho de investigação que a Polícia Federal faz há quase dois anos. Seria muito leviano a Justiça Federal se fiar apenas na palavra dos envolvidos. Dizer que o dinheiro foi contabilizado e declarado não exime o PT e seus aliados de um processo (vários implicados já foram indiciados), uma vez que as doações eram conseguidas à custa de extorsão, superfaturamento e aditivos ilegais que sangraram os cofres da Petrobras.
Dilma está no seu direito ao “defender com unhas e dentes” o seu mandato. Mas chamar de golpistas os que defendem o seu afastamento da presidência da República é uma espécie de cortina de fumaça, tentando sensibilizar a opinião pública e elevar os seus índices de aprovação, que hoje se quedam em apenas um dígito. Um impeachment só seria aprovado no caso de haver base jurídica. A única coisa certa é que a maioria da população hoje quer ver a presidente fora do posto, entre outras razões por causa das medidas do ajuste fiscal que estão causando um rombo ainda maior no orçamento - e no emprego - do trabalhador brasileiro, sem que o próprio governo assuma a sua responsabilidade no desacerto da nossa economia.
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