Um em cada três presos em flagrante é menor


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O delegado Daniel Radaeli diz que a polícia acompanhado envolvimento de menores com o crime
O delegado Daniel Radaeli diz que a polícia acompanhado envolvimento de menores com o crime
Nos primeiros cinco meses deste ano, a polícia de Franca flagrou e prendeu 833 pessoas cometendo algum tipo de crime. Deste total, 285 não haviam completado 18 anos, o que corresponde a 34,2% dos flagrantes. Na prática, de cada três criminosos detidos, um é menor de idade. O levantamento, feito pelo Comércio da Franca com base nas estatísticas de produção policial divulgadas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, preocupa.
 
Segundo o delegado assistente da Seccional de Franca, o vereador Daniel Radaeli (PMDB), a polícia vem acompanhando a evolução do envolvimento de menores com o crime. “O que percebemos, infelizmente, é que a tendência é que esse percentual aumente. Nos últimos anos, a criminalidade tem avançado e levado com ela os jovens.”
 
Ele disse que não há mais um perfil específico sobre os menores envolvidos com a marginalidade. “Antigamente, o menor infrator era o negro, pobre e da periferia. Hoje não é mais assim. A criminalidade também atinge os jovens brancos e de classe média”, disse Radaeli. 
 
Segundo o delegado, a grande maioria dos menores apreendidos em Franca tem envolvimento direto com as drogas. “Se não estão servindo como operadores para traficantes, estão viciados e furtando ou roubando para sustentar o vício”, afirmou.
 
O porta-voz do Conselho Tutelar de Franca, Ilton Ferreira, que também atende menores com problemas, concorda. “Infelizmente esse número é reflexo das drogas.”
 
Para os dois, uma das razões para o alto índice de menores envolvidos com o crime é a desestruturação da família. “A família tem o papel importantíssimo de transmitir à criança e ao adolescente valores. Quando ela está desestruturada, isso não acontece. O adolescente cresce sem ter a noção do respeito ao próximo e às leis, e acaba no mundo do crime”, disse Ilton Ferreira. 
 
A falta de programas de lazer e cultura voltados especificamente para os menores é outra razão apontada. “Quando a criança e o adolescente que vivem na periferia passam boa parte do tempo na rua, convivendo com criminosos mais velhos, as chances de eles acabarem se envolvendo nas ações criminosas é muito grande”, disse Radaeli. “Como conselheiro tutelar, o que percebo é que faltam oportunidades para os menores se ocuparem e desenvolverem seus talentos. Em Franca, são pouquíssimos os programas voltados para esse público”, completou Ferreira.
 
E em meio à discussão sobre a redução da maioridade penal, nenhum dos dois acredita que apenas a mudança na legislação seja suficiente para conter o crescimento da violência entre os mais jovens. “É preciso uma discussão maior, com o envolvimento de todos, porque a violência está diretamente relacionada a inúmeros fatores sociais, econômicos e até religiosos. Tem que haver um esforço amplo e comum”, finalizou Radaeli. 
 
 
 

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