O quarto homem acusado de matar o sapateiro Jurandir Antônio da Silva, 54, está atrás das grades desde a tarde de ontem. Trata-se de Luiz Tarcísio de Oliveira Silva, de 21 anos, que tinha prisão decretada pela Justiça. Ele foi ouvido ontem na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e recolhido à cadeia local. O rapaz, segundo o setor de homicídios da delegacia francana, é acusado de integrar um “Tribunal do Crime”, responsável pela condenação e morte de Jurandir da Silva após ele ter supostamente abusado sexualmente de uma enteada de apenas dez anos.
A detenção de Luiz Tarcísio foi possível graças a um patrulhamento da Força Tática pela rua José Joaquim da Rocha, na Vila Santa Terezinha. Por volta de 11h45 de ontem, os policiais avistaram o jovem em atitudes suspeitas. Ao ser abordado, ele tentou fugir. Em vão. Para tentar se livrar da prisão, Luiz Tarcísio informou nome falso, mas acabou revelando a verdade e dizendo que sabia que estava era procurado. Sem alternativa, o acusado foi levado para a DIG e, posteriormente, encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca. O teor de seu depoimento não foi revelado pelo delegado Márcio Murari que, no entanto, declarou não ter dúvida do envolvimento no crime. Ainda há dois homens foragidos. “Todos os envolvidos têm antecedentes por tráfico de drogas e roubo e tiveram participação na morte de Jurandir”, afirmou Murari.
A mãe da menina supostamente abusada, que atualmente vive com a avó, também está presa na Cadeia Pública do Jardim Guanabara. Foi ela quem teria “levado o caso” ao tribunal dos bandidos. Valdeir Alves Sena, 27; Sérgio Ramos Hipólito, 34, e Breno Feliciano Primo Branquinho, 20, também estão presos, mas na Cadeia Pública de Batatais (42 km de Franca). Alecsander Mateus Barbosa, de 19 anos, está foragido, assim como um sexto integrante cujo nome não foi revelado pela polícia.
O caso
Jurandir da Silva foi acusado de molestar a enteada de apenas 10 anos. Ao descobrir, a mãe da menor, com quem ele vivia há quatro anos e havia oficializado a união em outubro, confessou ter “levado o caso” a uma organização criminosa de seu bairro, na Vila Gosuen. Os acusados teriam “julgado” que o sapateiro deveria morrer e, para isso, o torturaram até a morte. No dia 22 de abril, o sapateiro foi encontrado morto em um cafezal próximo à rodovia Nelson Nogueira, que liga Franca a Ribeirão Corrente. O corpo, já em estado de decomposição, estava envolto por lençóis e tinha os pés e mãos amarrados. Na ocasião, sua irmã foi a responsável pelo reconhecimento, depois de denunciar o seu desaparecimento. O sapateiro teria sido levado da porta de casa no dia 18 de abril.
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