Até quando, Alexandre?


| Tempo de leitura: 2 min
O CDC (Código de Defesa do Consumidor) prevê punições para empresas que divulgam propaganda enganosa. Vai desde a retirada do anúncio dos veículos de mídia até pesadas multas para os responsáveis por mentir ao consumidor. Porém, isso não se aplica a partidos políticos e governos, sejam eles municipais, estaduais ou federal. Nem à propaganda obrigatória de TV, de responsabilidade dos partidos ou seus candidatos em campanha eleitoral. É uma pena que não possam ser atingidos pela legislação que visa a proteger o consumidor. Muitas legendas partidárias apresentam uma visão de País que não corresponde à realidade. Dilma Rousseff, por exemplo, acabou sendo reeleita após uma campanha que pintava um Brasil que só existia nas imagens. Aquele contexto róseo, era cinza com tendência ao negro. Hoje, vivemos uma situação pré-recessiva, com queda na produção, inflação em alta e desemprego em baixa. A presidente merecia ser punida por isso, por ter enganado o povo.
 
Em termos domésticos, o mesmo deveria acontecer com o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que paga milhões do contribuinte para mostrar em peças publicitárias, na TV e em mídia impressa, conquistas que não dependeram de sua ação, como o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) ou então a contratação de quase 300 médicos para atender a população. Com esta peça utópica, Alexandre deveria ser também julgado por propaganda enganosa, quando se sabe que não há profissionais suficientes nas unidades de atendimento e, agora, foram retirados todos os médicos pediatras do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” para atenderem na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Aeroporto, que já tinha recebido outros profissionais remanejados de UBS (Unidades Básicas de Saúde) e do próprio PS.
 
Esta atitude, além de deixar a Saúde Pública em Franca mais caótica, também permite que as fraudes se intensifiquem com os médicos terceirizados que atendem no Pronto-socorro. Os profissionais que foram transferidos recentemente denunciam uma nova “indústria das horas extras” que vem funcionando naquela unidade, o que faz elevar substancialmente o valor pago pela municipalidade. Agora, há apenas clínicos gerais no PS, grande parte deles recém-formados, o que dá margem para falhas que já causaram quase uma dezena de mortes relacionadas ao atendimento clínico nos últimos dois anos.
 
Franca não admite mais acompanhar esta situação de caos que acaba por se refletir no atendimento público. As notícias dos últimos meses mostram que há algo de errado no gerenciamento da saúde no município, com a redução de pessoal, o esvaziamento total do atendimento da Casa do Diabético e uma UPA construída pelo governo federal com metade do pessoal necessário para seu funcionamento satisfatório, entre vários outros. Alexandre Ferreira prefere investir em publicidade a aplicar as verbas de forma responsável, eliminando fraudes e falhas, num dos setores mais sensíveis à população que não pode manter um plano de saúde. Por isso, teria que ser responsabilizado pela propaganda enganosa que o contribuinte vem pagando, à custa da sonegação de seus direitos. Até quando vai continuar nessa tentativa obscena de iludir a população?
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários