‘Tribunal do crime’ mata sapateiro por abusar da enteada de 10 anos


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Corpo do sapateiro foi encontrado, já em estado de decomposição, em cafezal próximo à rodovia Nelson Nogueira, no dia 22 de abril
Corpo do sapateiro foi encontrado, já em estado de decomposição, em cafezal próximo à rodovia Nelson Nogueira, no dia 22 de abril
O Setor de Homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) concluiu na última sexta-feira, 3, o inquérito sobre a morte do sapateiro Jurandir Antônio da Silva, 54, assassinado em abril deste ano. Segundo o delegado Márcio Garcia Murari, o homem foi executado por integrantes de uma organização criminosa, depois de supostamente ter molestado a enteada de apenas 10 anos.
 
Durante as investigações, agentes da DIG conseguiram informações de que a vítima teria abusado sexualmente da filha da mulher, com quem vivia há cerca de quatro anos. Cerca de 20 dias após o crime, no dia 15 de maio, foi solicitada a prisão temporária da sapateira (o Comércio não divulgará o nome da mãe para preservar a identidade da criança). Ela então confessou o crime e indicou os nomes de outros seis indivíduos, integrantes de uma organização criminosa, que também estariam envolvidos no homicídio.
 
“Depois que a prisão temporária da mãe foi concedida, ela confessou o envolvimento no crime. Segundo ela, a menina, depois de ser molestada pelo padrasto por algum tempo, resolveu contar sobre os abusos para a mãe, que procurou um médico. O profissional confirmou o abuso e forneceu um laudo para a mãe. Ela então procurou os indivíduos, que moravam no mesmo local que ela, e eles decidiram, em um ‘tribunal do crime’, que o homem deveria pagar pelo abuso”, disse o delegado.
 
O casal vivia no conjunto de apartamentos residenciais da Vila Gosuen, junto com a menina. Os indivíduos envolvidos no crime residiam no mesma região. 
 
Segundo a polícia, depois do “julgamento”, os homens sequestraram o sapateiro, na porta de casa, e o torturaram até a morte em um cafezal no sítio Santa Amélia, localizado no km 4 da rodovia Nelson Nogueira, entre Franca e Ribeirão Corrente. “A vítima foi torturada até a morte. Foram encontrados diversos ferimentos graves, principalmente no rosto e cabeça. Ele estava bastante machucado e a causa da morte foi espancamento”, disse Márcio Murari.
 
Durante as investigações, foram pedidas as prisões temporárias de Valdeir Alves Sena, 27, Sérgio Ramos Hipólito, 34, e Breno Feliciano Primo Branquinho, 20, que estão presos na Cadeia Pública de Batatais. Luiz Tarcísio de Oliveira Silva, 21, e Alecsander Mateus Barbosa, 19, continuam foragidos.
 
Com a conclusão do inquérito, o delegado solicitou a prisão preventiva de todos os envolvidos no caso, incluindo um sexto indivíduo que não teve o nome divulgado. A mãe da menina, que atualmente vive com a avó, está presa na Cadeia Pública de Franca. 
 
O delegado pede que os sete envolvidos no crime respondam por homicídio triplamente qualificado, já que o assassinato teria sido cometido baseado em um motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitava a defesa. Se condenados, eles podem pegar até 30 anos de prisão.
 
O caso
O sapateiro foi encontrado morto em um cafezal próximo à rodovia Nelson Nogueira, no dia 22 de abril. O corpo, já em estado de decomposição, foi localizado por trabalhadores rurais. O homem foi encontrado envolto por lençóis e tinha pés e mãos amarrados. Na ocasião, sua irmã foi a responsável por reconhecer o corpo, depois de denunciar o seu desaparecimento. O sapateiro teria sido levado da porta de casa no dia 18 de abril, mas seu corpo foi encontrado somente quatro dias depois.
 
O casal, que vivia junto há cerca de quatro anos, havia oficializado a união em outubro do ano passado. O sapateiro deixou filhos de um relacionamento anterior.

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