É com grande expectativa que o setor calçadista francano aguarda a abertura da 47ª Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), nesta segunda nos pavilhões do Anhembi, em São Paulo. A indústria do sapato, ainda a maior força de trabalho de Franca, a qual gera milhares de empregos que movimentam toda a cadeia econômica do município e região, registra nos últimos meses uma das suas mais graves crises. A produção está freada e muitas empresas, para evitar demissões, estão concedendo férias coletivas aos trabalhadores, confiando na força da Francal para pelo menos tentar reverter a situação difícil registrada atualmente. A esperança é de que haja pedidos em número suficiente para reverter o quadro recessivo que já ronda a indústria calçadista da cidade.
A maior preocupação é com a manutenção do mercado de trabalho. De acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), Franca perdeu, somente no último mês de maio, 442 vagas no setor. Foi o pior resultado para o mês dos últimos sete anos, segundo levantamento do sindicato patronal. Ainda hoje, Franca depende do bom desempenho de suas fábricas de calçados. Mas desde o ano passado, o corte de postos de trabalho vem se acentuando, refletindo de forma negativa nos demais setores da nossa economia - comércio e serviços -, aumentando a inadimplência e agravando os problemas sociais não só aqui, mas também nos municípios que gravitam no nosso entorno, muitos deles também dependentes do bom desempenho da indústria local.
Mesmo com a situação favorável do dólar, o mercado externo ainda não é capaz de absorver a produção excedente por aqui, ainda mais quando se sabe que grande parte das indústrias francanas é de médio e pequeno porte. As vendas para o mercado interno continuam abaixo da expectativa, principalmente em razão da concorrência predatória dos fabricantes chineses que colocam no varejo produtos bem mais baratos que os similares brasileiros. A falta de uma política de incentivos para o setor é mais um agravante: sem conseguir ampliar seus mercados lá fora, a indústria calçadista brasileira ainda sofre com a concorrência dos importados.
Por estas razões, a atual edição da feira calçadista é a grande esperança de toda a cidade. Os fabricantes esperam conseguir pelo menos zerar os prejuízos e recompor seus quadros. Em muitas empresas do município os estoques estão acima do normal, o que arrefece a produção atual e faz com que milhares de trabalhadores fiquem em casa, sem emprego ou em férias coletivas. Caso a Francal não atinja os objetivos esperados, a indústria francana terá um segundo semestre ainda mais difícil, prejudicando toda a cadeia produtiva e a economia da cidade. Então, só nos resta torcer para que as vendas sejam retomadas e o setor se recupere para o bem de todos, pois ainda dependemos do bom desempenho do calçado para manter a sanidade da economia em Franca.
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