Desde o dia 1º de julho, os 16 médicos pediatras da Prefeitura que atendiam no pronto-socorro infantil, que funciona junto com o PS adulto “Doutor Álvaro Azzuz”, foram transferidos para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto. O prefeito fez o remanejamento para poder cobrir a unidade inaugurada em maio. Os médicos do município afirmam que a mudança foi imposta. Revelam, ainda, que serão substituídos em menor número por clínicos gerais que não são especializados no atendimento de crianças.
Para poder inaugurar a UPA, Alexandre Ferreira já havia feito uma manobra e tirado 78 servidores do PS e das UBSs. Mesmo assim, a unidade vem funcionando com menos da metade dos profissionais previstos anteriormente.
A pediatria é uma das principais carências. Para tentar suprir a demanda, e mesmo assim só no período da noite, o prefeito pegou todos os pediatras do PSI e transferiu para a UPA na quinta-feira. Tirou a roupa de um santo para poder vestir o outro.
Um grupo de médicos, que falou ao Comércio sob a condição de anonimato por temer represália, afirmou que os profissionais foram obrigados a irem para a UPA. O aviso chegou por meio de uma carta. “Estamos sendo transferidos à revelia e para horários que a gente não fazia, como noturno e fim de semana. Temos 10, 15, 20 anos de Prefeitura. Cada um já tinha o seu horário, a sua rotina planejada”, disse uma médica.
Os médicos dizem que não foram transferidos porque fecharam horários no PS ou porque estão colocando outros pediatras em suas vagas. Eles afirmam temer pela maneira como a substituição será feita. “Nos nossos lugares vão ficar os terceirizados, a maioria, clínicos recém-formados, que estão fazendo barbaridades. O mais grave é o risco que as crianças estão correndo nas mãos dos emergencialistas”.
Desde junho do ano passado, parte do atendimento no pronto-socorro já vinha sendo feita por terceirizados. De acordo com a versão dos pediatras, são comuns os casos em que eles não prestam atendimento adequado ou que ministram doses “cavalares” de medicamento. “Quando chega uma emergência de pediatria, a enfermagem vai, imediatamente, atrás da gente e pergunta o que fazer. Muitas vezes elas pediram para a gente trocar a receita. Ou os terceirizados não sabem ou eles fogem do problema”.
Além do risco no atendimento prestado, os médicos da Prefeitura afirmam que a contratação de terceirizados abre brecha para o pagamento de supersalários. “Eles não batem o ponto e não passam pelos mecanismo de controle como nós passamos. Assinam o que querem”.
Os pediatras apresentaram ao Comércio fotos de escala de um médico terceirizado que assinou quatro plantões seguidos de 24 horas entre os dias 20 e 23 de junho. “Sabemos que é, humanamente, impossível, mas eles assinam o que querem e estão ganhando para isto”. As irregularidades serão denunciadas à Justiça.
A Prefeitura negou que haverá prejuízo aos usuários e disse que irá apurar as denúncias de mau atendimento e de plantões “fantasmas”.
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