Passei boa parte de minha infância mudando de casa. Meu pai sofre de algo que o impele a constantes mudanças, novos planos, novas casas e com isso novas escolas, novos companheiros. Não dava sequer para me apegar a uma turma e eu já dizia tchau. Com isso, parte da vida passei no bairro Aeroporto I, e lá ficou sendo a casa da infância de meus irmãos, porque foi lá que a família se completou, tal qual estamos até hoje. Passei por lá dias desses e fiquei surpresa em ver como aquele bairro está bonito, limpo. Fiz na hora uma associação recorrente da minha infância: a casa mais bonita é a casa do pobre mais asseado. Com aquelas cortinas simples, panos de prato com bicos de crochê, toalhinhas de crochê nas mesas, passadeiras no corredor, varanda de vermelhão com samambaias penduradas, e a dona a dizer: aqui você pode comer do chão.
Nesse bairro, como em qualquer outro, tinha um “doidinho”, o Zuza. Hoje, pensando a respeito, não sei bem porque nos referíamos assim a ele, nem o que ele de fato fizera para ser considerado assim, doente das faculdades mentais. A única coisa de que me lembro é que o Zuza cultivava uma bela horta sozinho. Ele plantava até café - e muito provavelmente se mantinha com aquilo que a terra lhe dava.
Hoje, assisto a jornalista, blogueira e cozinheira Neide Rigo às turras com uma parcela de seus vizinhos porque quer manter uma horta num espaço público na zona oeste de São Paulo. Claro, ela é bem articulada e relacionada, então a alcunha de doida não lhe cairá bem - talvez, no máximo, excêntrica. Indignada, já assinei a petição a favor das hortas públicas, mas me coloquei a pensar sobre aqueles que se incomodam com essas iniciativas ou até qualificam de doidos aqueles que partem para essa empreitada. Arrisco dizer que “o inferno são os outros”. A inércia da gente só aparece quando o outro se movimenta, é tudo relativo.
Coisas desse tipo podem parecer incríveis, mas não são. A cidade de São Paulo, por exemplo, conta com uma ONG: Cidades sem fome/ Horta comunitária, que legaliza, através de contratos de comodato, a utilização de terrenos inutilizáveis para que interessados possam cultivar a própria horta. Locais abandonados se transformam em canteiros verdes sem defensivos e ou adubos químicos. Mais do que isso, essas iniciativas promovem a justiça social, porque remuneram melhor o agricultor, eliminando o atravessador e traz para perto, no pé da cerca, o produtor e o consumidor.
DICA DA SEMANA
Fermento
O bolo precisa de fermento para crescer, o indefectível pó royal. Mas e o bicarbonato de sódio? Teria a mesma função?
O fermento, tipo pó royal, é mais completo, composto pelo bicarbonato de sódio, ácido, além do amido que evita que a mistura umedeça. Ambos liberam dióxido de carbono quando em contato com líquidos, fazendo as bolhas que proporcionarão um bolo fofo. No caso do bicarbonato, o tempo de reação é mais rápido. Portanto, para bolos, o melhor é o fermento químico. Para cookies, biscoitos e cupcakes, o bicarbonato.
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