Pesquisas recentes têm apontado que o brasileiro gosta de usar o crediário, cartão de crédito e financiamento quando vai fazer compras. Quando tudo dá certo, não gera problemas, mas o caso é que, na vida, nem tudo dá. Podemos ficar desempregados, doentes ou acidentados, e isso acarreta perda de renda imediata. Também imprevistos acontecem, a exemplo de recebermos uma ou duas multas de trânsito pelo correio, sermos notificados pela Receita Federal por conta de um tributo calculado errado e recolhido a menos, termos parente próximo precisando de ajuda financeira urgente etc.
De ano para o outro, o setor econômico pode sofrer virada. Cabe a nós ter maturidade para entender isso e olhar para esses problemas, não como visão excessivamente otimista ou com pânico, mas com a visão realista de que os problemas da economia são cíclicos, e que todos nós, uns mais outros menos, temos que nos precaver para os momentos de dificuldade econômica.
Comprar sempre à vista dói. Diminui nossa capacidade de adquirir produtos e consumir serviços, mas a adoção e a manutenção dessa boa prática financeira tem tudo a ver com o que é ser realista num mundo de viradas econômicas tão abruptas como o que vivemos.
Quem compra sempre à vista leva vantagem em todos os sentidos. Pratica negociação ou vive situação claramente mais vantajosa que a outra parte. Tem poder para dizer que não compra se não houver um bom desconto. Quem tem liquidez pode dizer se compra ou não compra, não ficar dependendo de taxas de juros obscuras como as praticadas por algumas grandes empresa. Além de tudo, não se endivida.
Compre sempre à vista. Exija descontos, sob pena de procurar outro estabelecimento. É, sem dúvida nenhuma, um dos melhores investimentos que você pode fazer para o seu futuro.
Lélio Braga Calhau
Promotor de Justiça de Defesa do Consumidor no MP/MG
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