Segundo Mateus, no seu Evangelho (XXII: 34-40), um fariseu, doutor na sinagoga, interrogou Jesus qual o maior mandamento, a que respondeu o Mestre: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo’, denotando que a Sua religião era o Amor, em todas as suas manifestações.
Se Ele fez que entendêssemos o amor também como respeito às convicções alheias, recomendando que amássemos até os inimigos, Deus, por sua vez, concedeu-nos plena liberdade responsável de pensamento e ação.
Crenças religiosas são maneiras de pensar, filosofias de vida e de morte. É sentimento enobrecido pelo ideal de sublimação ante às injunções mundanas. Se nos propomos sublimar os anseios íntimos, com vistas à salvação do espírito, em nada nos adianta frequentar templos, igrejas, centros espíritas, sinagogas, terreiros, sem respeitar o Respeitável. Amar o Pai começa por amar Seus filhos.
Jesus, em outra oportunidade, aconselhou-nos que ‘fizéssemos aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem’, e nos advertiu, ainda: ‘Se a vossa justiça não exceder a dos fariseus e publicanos, que mérito tereis?’
Ao menos do lado cristão do mundo, aprendemos a tolerar a crença dos outros, assim como cumpre aos outros tolerar a nossa, por mais absurda que lhes possa parecer, porque trata-se de convicção, é fé.
Com efeito, é de uma inadmissível intolerância religiosa a agressão contra a menina Kaillane Campos, de apenas 11 anos, que, num ponto de ônibus do Rio de Janeiro, vista paramentada para o culto de sua crença, foi apedrejada, talvez, por indivíduos que, equivocadamente, se dizem religiosos, mas renegam a quem busca a Deus por caminho que não seja o deles.
É incondicional o amor cristão. Hei de amar meu semelhante, ainda que ele não pense como eu penso, o que evoca Voltaire: ‘Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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