Integridade


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O mundo em que vivemos hoje, bom ou ruim, foi criado em boas parcelas pelos agentes de comunicação. O rádio, a televisão, as redes sociais, os satélites em órbita produziram alterações irreversíveis neste planeta giratório. Servem à verdade. Propagam mentiras. Distribuem a misericórdia. Fazem a guerra. Fomentam a violência. Às vezes prevalece a razão. O homem torna-se súbita e extremamente consciente de que cada palavra sua e cada gesto seu têm uma consequência imediata sobre os seus semelhantes.
 
A luta pelo controle do espírito humano está sendo travada pelos órgãos de comunicação, cujas armas são as palavras e as imagens. Infelizmente, nem todos são livres. Alguns são escravos de tirania. Muitos são sujeitos ao controle editorial, financeiro ou da circulação.
 
O homem que ganha a vida escrevendo livros, na sociedade ocidental, pelo menos, ainda é o que há de mais próximo de um ser livre. E aí vem o meu pressuposto maior: o homem que escreve, que contribui culturalmente para com o jornal Comércio da Franca é livre, e ele aceita esta liberdade de expressão tão preciosa como uma verdadeira dádiva neste cenário de comunicação. Seu pensamento é transmitido com veracidade, dentro dos limites do espaço.
 
Apraz-me declarar que em mais de 40 anos escrevendo para o Comércio da Franca, jamais encontrei qualquer adulteração da ideia original, ou um desvio de minha opinião original. E isto não constitui elogio desprezível num mundo onde a palavra impressa é bem menos sagrada do que era no passado.
 
Os espaços reservados aos colaboradores deste jornal é um exemplo de integridade em comunicação. É uma citação que pode tranquilamente ser exibida em qualquer foro de agentes de comunicação do mundo.
 
Assim, nosso jornal cumpre sua função social que é a de informar e, como não poderia deixar de ser, a de formar opinião pública. Se tivesse sido algo ruim, nunca chegaria a obter o status de centenário, conservando a liderança inalcançável, ao menos no atual recorte histórico da cultura francana, entre seus leitores e assinantes.
 
Parabéns a todos os colaboradores, funcionários e diretoria do Comércio da Franca.
 
 
Everton de Paula é acadêmico  e editor. Escreve para o Comércio há 43 anos

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