100 anos do 'Commercio'


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Há um século, o jornal leva ao público conhecimento, informações, opiniões, decisões e populariza a cultura. Há cem  anos torna possível que as pessoas se emocionem
Há um século, o jornal leva ao público conhecimento, informações, opiniões, decisões e populariza a cultura. Há cem anos torna possível que as pessoas se emocionem
Há 100 anos nasciam estrelas. Algumas foram destinadas a fazer brilhar  a música brasileira. Músicos e artistas do naipe de Humberto Teixeira que, parceiro de Luiz Gonzaga,  legou Asa Branca e Assum Preto. Haroldo Barbosa que, além de descobrir Chico Anísio e Stanislaw Ponte Preta,  compôs Nossos Momentos,  Tudo É Magnífico e teve músicas gravadas pelos maiores nomes da MPB. Gilberto Alves, que abandonou a profissão de sapateiro para se dedicar ao som. Memorável, deixou a jóia chamada Uma Grande Dor Não Se Esquece, clássico de serenatas. Nascia Zé Trindade, que fez rir várias gerações de brasileiros; Aurora Miranda, irmã da Carmen. Garoto, ou Anibal Augusto Sardinha, sem quem nem São Paulo Quatrocentão, muito menos Duas Contas ou Gente Humilde existiriam. Jair Amorim, parceiro de Evaldo Gouveia fez muita gente chorar com a valsa Se Ela Perguntar, com a marcha Bloco da Solidão e o Tango para Tereza. O que seria da dor de cotovelo se eles não existissem? Carequinha. Sozinho já era um espetáculo, mas acompanhado por Arrelia,  dominaria palcos e picadeiros  brasileiros, deixaria saudades e faria escola. Fernando Lobo, pai de Edu Lobo, autor de Chuvas de Verão,  Ninguém Me Ama, Preconceito e de Nega Maluca, quando não era proibido mencionar cor da pele. Roberto Roberti imortalizou a falta de sinceridade de Aurora, prevaricadora famosa dos carnavais passados e em Nós, os Carecas, mostrou que a falta de cabelos não representa grande coisa perto de suas muitas outras virtudes.  Nasciam Orlando Silva, o Cantor das Multidões; Grande Otelo que, parceiro de Oscarito,  alegraria milhões de fãs de cinema; Raul de Barros, trombonista, autor do choro Na glória.  Há cem anos nasciam estrelas. Muitas delas foram destinadas a fazer brilhar arte do mundo: Billie Holiday, Frank Sinatra, Edith Piaf e Orson Welles, o Cidadão Kane.
 
Há 100 anos Albert Einstein expunha ao mundo sua Teoria Especial da Relatividade e o Universo nunca mais foi o mesmo. Suas idéias tornaram-no o maior gênio da ciência do século XX, e a descoberta da relatividade, teoria esquisita aos olhos de leigos, tornou-se a mais importante conquista científica que o século passado legou para o futuro. Há 100 anos Alfredo Weneger expunha sua teoria da Deriva Continental e assombrava o mundo ao descrever a origem dos atuais continentes, que teriam surgido a partir de Pangeia, grande massa de terra inicial. Há 100 anos morria Aloysius Alzheimer, psiquiatra alemão, primeiro autor a reconhecer a doença neurodegenerativa que hoje tem seu nome. Em 100 anos o mundo mudou: surgiram computadores;  penicilina;  transplantes de órgãos; clonagem de mamíferos; descobriram a estrutura do DNA, a fissão nuclear; a exploração espacial tornou-se rotineira; o campo das telecomunicações foi revolucionado pela invenção da fibra ótica e do laser; os aviões ganharam motores a jato e as distâncias diminuíram; a produção em série revolucionou a economia; o Big Bang chacoalhou as teorias religiosas; o uso da internet se alastrou; as mulheres conquistaram espaço com o uso da pílula anticoncepcional; a invenção do transistor fez pela cultura geral o que a invenção da imprensa  fez pela humanidade em 1495. 
 
Há 100 anos, em Franca - SP, nascia  o Comércio da Franca, jornal que se tornaria importante veículo de comunicação de sua região. Há cem anos leva ao público conhecimento, informações, opiniões, decisões e populariza a cultura. Há cem anos torna possível que as pessoas se emocionem, tomem ciência e saibam dos acontecimentos políticos, artísticos, científicos, policiais, literários, eventos e acontecimentos que mudam e transformam o entorno humano. Agora, por exemplo, como seria possível divulgar tudo isso em Franca, não fosse o Comércio?...
 
 
Lúcia Helena Maníglia Brigagão é jornalista, escritora e professora

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