Um cobrador de ônibus da empresa São José, de 65 anos, está sendo acusado de desferir um tapa no rosto de uma adolescente e chegar às vias de fato com uma amiga da garota. Ambas têm 16 anos. O caso aconteceu no início da noite de quarta-feira, no Jardim Aeroporto 2, e foi parar no Plantão Policial.
O princípio de confusão teria acontecido no ônibus que faz a linha Centro ao Jardim Aeroporto 2, após uma delas oferecer à amiga seu cartão de passes, pois a jovem estava sem dinheiro para a passagem. Ao ver que a garota utilizaria os créditos da amiga para passar, o cobrador, AJM, teria se irritado. Uma discussão começou. “Além de ter ameaçado tomar o cartão da minha filha e ter batido nela, ele as constrangeu por causa de R$ 3,50”, disse a mãe de uma das envolvidas.
Diante da negativa do cobrador, passageiros teriam oferecido dinheiro para que a menor pudesse passar pela catraca. Ao fazê-lo, a adolescente teria visto o idoso desferir um tapa no rosto da amiga e partiu para cima dele. A partir disso, agressões mútuas começaram e só pararam quando a prima de uma das garotas ligou para a mãe de uma delas.
Assim que o ônibus alcançou o ponto da avenida Izildo Castro de Oliveira, no Jardim Aeroporto 2, a mulher, que trabalha como doméstica, foi tirar satisfação com os funcionários da São José. “O motorista me disse que não teve nada a ver com o fato e que também estava indignado. Acionei a polícia e soube que, quem estava no ônibus, filmou e fotografou a agressão”, contou a mulher que foi parar no Plantão Policial junto com a filha, a outra adolescente e sua genitora, o cobrador e um fiscal da empresa São José.
Já na delegacia, o cobrador afirmou que as garotas teriam insistido em usar os passes, que são intransferíveis, e que a jovem que estava querendo usar o cartão da amiga lhe desferiu chutes na perna. AJM teria tentado pegar o passe da mão da menina e confirmou ter desferido um tapa em uma das delas antes de entrar em luta corporal com a segunda.
Para a mãe da agredida, que disse ter recebido um pedido do fiscal da São José para resolver o caso fora da delegacia, o ocorrido é inaceitável. “Se ele não tem estrutura psicológica para lidar com a população, não deveria trabalhar como cobrador de ônibus. Eu não tolero o que ele fez com minha filha e vou levar o caso adiante”, ressaltou Aparecida.
Punição
Após ter se envolvido no caso, AJM foi afastado do trabalho. A informação foi confirmada ontem pela empresa e pelo próprio, que disse ter sido orientado a não comentar o caso. “Me desculpe, mas eu não posso dar entrevistas. Já fui afastado, não posso falar”, afirmou. Em nota, a São José apenas declarou que “o cobrador foi afastado até que seja apurada a ocorrência”.
Pelo fato da agressão ter envolvido duas menores de idade, a ocorrência, registrada como “vias de fato”, foi direcionada para a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e será apurada pela delegada responsável, Graciela Ambrósio. “Nos próximos dias, vou chamar as duas adolescentes e o autor da agressão para saber o que, de fato, aconteceu”, informou. Um inquérito deverá ser aberto para apurar responsabilidades.
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