A punição a menores infratores continua pontuando debates na mídia, redes sociais e conversas de botequim. A Câmara Federal rejeitou reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, mas votaram contra 303 deputados, e eram necessários 308. Em resultado, as discussões continuarão inflamadas e gerando repercussão na opinião pública na medida em que cresce a participação de jovens na criminalidade. Segundo o Datafolha, 87% da população é favorável à redução. Independente do que ocorra na sequência dos trabalhos legislativos, entre as soluções prioritárias encontra-se a urgência de potencializar educação de qualidade para jovens.
Proposta viável é aumentar acesso de estudantes a escolas de tempo integral. Ocupados o dia inteiro, longe de ruas e más influências, distanciam-se de drogas e atividades ilícitas. Ganham melhor formação, o que aumenta a capacidade de força de trabalho e diminui os números da geração nem-nem - jovens que nem trabalham nem estudam e, geralmente, nem procura emprego. Para que funcione, é necessária uma reforma estrutural no ensino médio, principalmente nas questões curriculares, incluindo matérias com forte apelo para formação ao mercado de trabalho.
Não só o poder público, mas toda a sociedade deve se engajar na causa. Empresas que abrem portas a jovens contribuem para reduzir criminalidade. Seja oferecendo emprego, estágio ou aprendizagem, permitem vida melhor para a família desses jovens que entram no mercado de trabalho sonhando com um futuro promissor.
Só com educação de qualidade e, consequentemente, com redução de desigualdades sociais é que poderemos sonhar com a diminuição das estatísticas de criminalidade. Como dizia o sábio Padre Antônio Vieira, a boa educação é moeda de ouro; em toda a parte tem valor.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente do Conselho de Administração do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), diretor da Fiesp
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