A crise política por que passa o governo Dilma Rousseff (PT) derrubou a aprovação da presidente para um dígito, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem. De acordo com o levantamento, 68% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo — pior marca já atingida por um presidente desde a redemocratização do País. Até agora, o recorde negativo pertencia a José Sarney, em julho de 1989 (64% de reprovação). Apenas 9% dos brasileiros consideram o governo bom ou ótimo — número pouco melhor do que o registrado por Sarney naquele ano: 7%. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 141 municípios. A queda, que já vinha se anunciando em pesquisas de outros institutos, deixa claro que a presidente terá muito trabalho para recolocar a sua administração nos trilhos.
Ao contrário do que a chefe da Nação declarou nos Estados Unidos, anteontem, as denúncias contra o seu partido e a arrecadação de sua campanha para as suas duas eleições não são apenas notícias da mídia. São, sim, acusações reais e que não teriam guarida, por parte da Polícia e da Justiça Federais, caso os delatores não tivessem apresentado alguma prova que confirmasse suas informações. Acusar a imprensa, a oposição ou os ‘vazamentos seletivos’ é argumento de quem não tem como rebater as denúncias gravíssimas que envolvem o PT, alguns partidos aliados e seus líderes. Ao abrir a boca e deslindar o esquema fraudulento que funcionava na Petrobras, os empreiteiros presos pela PF deixaram o governo em maus lençóis, o que se reflete na aprovação da presidente pouco menos de um ano após a sua reeleição.
Enquanto o Planalto não apresentar números positivos na economia, reduzir a carga tributária que corrói o salário do trabalhador e reverter toda a crise que domina o País desde o começo do ano, não há como melhorar a percepção do brasileiro. Quem paga impostos, contas de água e luz e faz compras nos supermercados já percebeu que a explosão de preços pressiona o orçamento doméstico, numa situação pré-recessiva que impede o setor produtivo de crescer e criar empregos. Hoje, pelo contrário, o mercado de trabalho está em franca decadência e não há nada que indique uma mudança no panorama em curto ou médio prazos. O próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admite uma melhora nos índices apenas para meados de 2016 ou 2017, caso o ajuste fiscal seja implantado imediatamente.
Como mentira tem perna curta, Dilma Rousseff agora planta o que colheu em sua campanha pela reeleição, dizendo que seus adversários fariam o que ela justamente fez assim que foi anunciada a sua vitória sobre o senador Aécio Neves (PSDB). Agora, precisa mudar completamente a sua estratégia no sentido de evitar a queda vertiginosa que registra num momento em que fica claro que a sua imagem de gerente competente não passou apenas de uma ação de marketing bem sucedida. O País vem sofrendo com isso e mais ainda a administração federal, que precisa encontrar um rumo antes que os brasileiros sofram ainda mais.
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