A crise brasileira parece não ter fim. O Banco Central acaba de informar que a inflação chegará a 9% neste ano (a previsão anterior era de 7,9%) e que o desempenho da economia será o pior em 25 anos, encolhimento de 1,1%. Segundo o IBGE, o desemprego aumentou, passando de 6,4% em abril para 6,7% em maio.
Com isso, a renda do trabalhador diminuiu um pouco mais. O governo quer o ajuste fiscal, mas não indica uma perspectiva de confiança no futuro para mostrar que os sacrifícios do presente significam tempos melhores mais adiante, na forma de recuperação econômica e social. Essa soma de inflação, desemprego e queda no PIB é desesperadora.
A ruptura do equilíbrio se deve à falta de credibilidade, pois não há confiança. Credibilidade não se impõe, conquista-se ao longo do tempo mediante comportamento responsável, cumprimento tempestivo de promessas, honrando a palavra empenhada.
Sua construção encontra similaridade em nossas casas, onde nossos pais nos transmitem afeto e segurança, mas exigem conduta condizente com os padrões da boa educação, da moral e dos bons costumes. Também, nas escolas que frequentamos, onde impera a meritocracia. Ainda, nas empresas em que trabalhamos, onde a preocupação com a marca e a sustentabilidade corporativa é fundamental. Tem que ser igual nos procedimentos diuturnos de governos e, especialmente, de políticos!
No parlamentarismo, o risco é imediato: ao perder a confiança, o gabinete cai. No presidencialismo, a queda é mais demorada, a crise é mais longa e o sofrimento da cidadania, maior.
A situação vivida presentemente pelo governo brasileiro e pela economia nacional é ilustrativa: a conjuntura econômica é sombria, adversa; inexistem perspectivas e a chefe do governo não tem credibilidade, como atestam recentes pesquisas. A confiança desapareceu, o descrédito é total.
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA/USP
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