Mais uma vez a Casa do Diabético é alvo de críticas dos pacientes. A unidade que já foi modelo de atendimento e qualidade não tem mais médicos especialistas e sobrevive com apenas dois clínicos gerais e um pediatra, de acordo com os usuários. No local, um quadro com o nome dos médicos confirma a situação precária de falta de profissionais especialistas. O resultado são consultas remarcadas para o fim do ano e outras jogadas para 2016.
Segundo os pacientes, os endocrinologistas se aposentaram ou pediram demissão da unidade. A dona de casa Iramir Ferreira Cândido dos Santos tinha uma consulta agendada para 14 de junho, que foi remarcada para 16 de dezembro. “Minha receita, que peguei em fevereiro, vence agora. Então, eu pegaria uma nova receita e levaria exames, mas disseram que tem consulta só para dezembro”, disse a dona de casa. Ela foi orientada a procurar uma Unidade Básica de Saúde para passar por um médico.
“Não posso ficar nem um dia sem meus remédios que são para diabete e rins. Tudo piorou na Casa do Diabético, agora os médicos nem examinam a gente direito e só tem clínico geral”, reclamou. A paciente lembra-se de pelo menos três médicos especialistas que deixaram a Casa do Diabético. Ela teme ter de pagar pelos remédios, caso não consiga uma nova receita antes que seus medicamentos acabem.
Há casos de pacientes que não conseguem sequer marcar consultas para este ano. “O certo seria minha mãe conseguir uma consulta para novembro, mas disseram para ela vir em dezembro para tentar marcar para o ano que vem”, disse o supervisor Claudiomar da Silva, 42.
Os usuários também têm encontrado dificuldades para conseguir remédios e fitas de testes de diabetes.
A auxiliar de escritório aposentada Aparecida Rosa, 71, conseguiu pegar as fitas no mês passado após muita burocracia. Ela teve que comparecer a várias reuniões e fazer diversos pedidos para obter o material gratuitamente. “Uma caixinha com 50 fitas custa R$ 96, tive quase que implorar para conseguir as fitinhas aqui”, disse a aposentada.
Os pacientes têm de procurar a maioria dos remédios em postos da Farmácia Popular, programa do Governo Federal. Antes, a retirada de remédios na unidade facilitava a vida dos diabéticos, que se consultavam no local.
A Casa do Diabético é mantida pela Prefeitura em parceria com o Lions Club de Franca. O integrante do Lions, José Gomes Duba das Chagas, informou que o instituto só é responsável pelo prédio, a parte clínica fica a cargo da Prefeitura.
Uma fonte ligada à gestão confirmou a falta de médicos especialistas, mas disse que a Prefeitura “tem se esforçado” para resolver o problema. Apesar de não ser esse o relato das pessoas que buscam atendimento.
A mesma fonte disse ainda que, no caso de pacientes mais graves, é feito o encaminhamento para o AME (Ambulatório Médico de Especialidades).
Em janeiro, o Comércio registrou o mesmo problema e divulgou que cerca de 200 pacientes eram atendidos por mês na Casa do Diabético, além de 2 mil pessoas que usam fitas de testes e insulina.
A reportagem entrou contato com a Secretaria Municipal de Saúde, na última quinta-feira, mas até o fechamento desta edição, cinco dias depois, não houve retorno.
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