Médica denuncia colega que a chamou de 'negrinha' em Santa Casa


| Tempo de leitura: 2 min
Carolina Pereira Bernardes
Carolina Pereira Bernardes

Carolina Pereira Bernardes, médica anestesista de 30 anos, disse ter sido chamada de “negrinha”, em pleno horário de trabalho na Santa Casa de Barretos, por um colega obstetra. Ela disse ao jornal Extra estar sendo perseguida após ter denunciado o médico, que nega o crime.
O episódio aconteceu no último dia 7 de junho, quando Carolina estava de plantão e foi solicitada pelo colega para uma cesariana.

Ela relatou que ao explicar que antes precisava realizar um procedimento em um paciente com fratura, foi acusada de negligência por outro médico, Fernando Carvalho Jorge, que não gostou da negativa. “Quando acontece esse tipo de conflito, não é a gente que decide quem vai entrar primeiro. Então liguei para o diretor clínico, Dr. Lúcio Flávio, que me mandou anestesiar a paciente da fratura primeiro. E quando expliquei para o Dr. Fernando, ele ficou mais bravo ainda, começou a me ameaçar, dizendo que tinha amigos e me chamou de “negrinha” de uma maneira muito depreciativa. Importante frisar que a paciente dele foi internada à 1h da manhã e ele me chamou por volta de 7h30”, disse Carolina.

Após o encerramento de seu turno, ela fez um boletim de ocorrência. A médica disse não ter sido chamada para uma conversa, nem por representantes da Santa Casa e nem pelo obstetra, e o hospital ainda pediu sua substituição. “Me senti muito humilhada, chorei muito. É o tipo de situação que você não acredita que está passando, ainda mais no ambiente de trabalho,” conta.
O acusado Fernando Carvalho Jorge nega todas as acusações. “Quando ela soube que eu gravei, fez essa queixa de injúria racial para me coagir. Dois dias depois do ocorrido, um colega dela disse que, se eu tocasse o assunto pra frente, ela ia me processar. Eu tenho carta de cirurgiões reclamando que ela vem se recusando a fazer vários procedimentos”, disse ao Extra. “Estou sofrendo, sendo caluniado. Ela colocou em risco a vida de duas pessoas: a da mãe e a do filho”, finalizou, dizendo ainda que não poderia divulgar as imagens ou cartas das supostas reclamações.

A substituição de Carolina pela Santa Casa de Barretos teria sido feita para “preservá-la até que os fatos sejam esclarecidos”. Vera Godoy, assessora do hospital comentou a situação. “A Dra. Carolina possui uma denúncia de omissão de socorro e coincidentemente, na mesma época, ela fez essa denúncia de uma possível injúria racial. Então ficou uma discussão entre médicos. Foi aberta uma sindicância interna, em que vários profissionais já foram ouvidos, e o Hospital vai apresentar os relatos ao Ministério Público. O Hospital não tem poder para punir um dos dois e nem tem essa intenção”.

O caso segue na Delegacia da Mulher de Barretos e o advogado da anestesista está reunindo testemunhas e documentos para apresentar à delegada.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários