Resolvendo a publicação deste jornal, temos em mira o firme propósito de contribuir para o engrandecimento de nossa terra.
Dedicamol-o ao Commercio, á Lavoura, á Industria e ás Artes, para que, como verdadeiro ‘porta-vóz’ dos interesses dessas classes, seja elle o solido liame na completa expansão progressista, na harmonia que deve reinar entre tão poderosos ramos da actividade humana.
Essas classes, que se constituem a base fundamental da riquesa dos povos e cujos interesses entre-chocam-se na mutua conquista de um mesmo idéal, acolhem-se todas à sombra da mesma bandeira, lutam, entretanto, aliadas em pról da riqueza.
Essa luta titanica que impelle os homens, as classes e os povos na senda de suas actividades, luta por vezes heroica, por vezes injustificavel e vandalica, tem como fito unico a conquista desse vil metal--o ouro.
O ouro relusindo e sonande tem prostado a seus pés a humanidade inteira. Elle constitui-se a mola real na movimentação dessa engrenagem labyrinthica que se denomina sociedade.
‘Tanto tens, tanto vales’. O ouro possue o diabolico iman que attrae para si a humanidade em peso. Quantas vezes o seu contacto tem dissolvido o mais robusto caracter, atirando-o em seguida ao escarneo das turbas sedentas de escandalos... Voltemos ao assumpto.
A nossa folha se propõe a collaborar com os bons colegas de imprensa na propaganda cerrada de nosso Municipio, que caminha a passos de gigante para um progresso seguro e certo.
A crise que atravessamos veio pôr em grande destaque a solidez do seu commercio, o poder productor da lavoura, o desenvolvimento da industria, que são os elementos basicos das forças vivas no laborioso municipio de Franca.
A Franca, mesmo distante do grande centro paulista, vai marchando na vanguarda do progresso e merecendo, sem favor, os fóros de terra civilisada, rica e de grande futuro.
O nosso jornal lhe emprestará o melhor dos seus esforços, tornando-se carinhoso e dedicado na defesa das ideias que, de algum modo, possam contribuir para o maior realce moral, intellectual ou material desde abençoado torrão.
Procuraremos evitar discussões infructiferas, fugiremos as dissensões pessoaes, escólhos em que, geralmente, sossóbram os jornaes do interior. Só daremos guarida a questões particularisadas quando o individuo tenha contribuido para o engrandecimento ou depreciação da collectividade.
Em materia política, encaminharemos os nossos esfoços ao lado dos proderes constituidos no Municipio, no Estado e na União.
As nossas columnas serão franqueadas aos bem intencionados, sem, entretanto, com isso, tornarmo-nos solidarios com elles nas suas apreciações ou idèas.
Finalmente, não mediremos sacrificios toda vez que se tratar de glorificar a Justiça, de realçar o Direito, de engalanar o Merito. Registaremos todos os actos dignos e recommendal-o-he-mos aos nossos leitores como estimulo para imitação.
Eis pallidamente nosso programma.
Ardua é por certo a tarefa a que nos afrontamos, mas, por isso mesmo, nos devem ser desculpados os desvios que involuntariamente commettermos, mesmo porque ‘Errare humanum est.’
Bem intencionados, como estamos, no firme propósito de prestar algum serviço á população ledora, entregamos-lhe hoje o nosso jornal e esperamos merecer-lhe o indispensável apóio moral e material.
NOTA DA REDAÇÃO: O texto acima foi publicado há exatos 100 anos, no dia 30 de junho de 1915, na capa da primeira edição do Comércio da Franca. Os valores e princípios defendidos no mesmo continuam válidos e, por essa razão, os renovamos nesse 30 de junho de 2015. (No texto, foi mantida a grafia original)
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