Por coisas assim, a Revolução Francesa derrubou a monarquia, mandando o rei Luiz XVI para a guilhotina, assim como a rainha Maria Antonieta e muitos nobres que literalmente perderam a cabeça. O mundo vivia o século XVIII e a França passava por uma grave crise econômica, faltando à maioria da população itens básicos e de alimentação. Como ficou célebre, ao saber que o povo reclamava não ter pão para comer, a rainha os mandou comer brioches. Ao se mostrar refratária e insensível aos problemas populares, a monarquia francesa caiu diante de uma revolução que se tornou um dos marcos da democracia no mundo, inclusive inspirando a Inconfidência Mineira, com seus ideais de “iberdade, Igualdade e Fraternidade”.
O Brasil vive hoje uma crise de difícil resolução. O desemprego crescente mergulha a classe trabalhadora em incertezas, diante de uma produção industrial estagnada e a explosão de preços que deixa a inflação perigosamente perto dos dois dígitos, sem perspectiva de arrefecimento mesmo com o ajuste fiscal (que o governo sofre para aprovar no Congresso) e a elevação da taxa de juros básicos. A maior parte da conta deixada por uma política econômica errática e repleta de manobras para melhorar os números dos gastos públicos vai ficar mesmo para o bolso do contribuinte. A todo cidadão brasileiro foi imposto um aperto de cintos que, infelizmente, não se vê quando se trata da nossa classe política.
Nem os protestos que sacodem o País desde 2013 foram capazes de mudar a forma de pensar dos nossos entes públicos. A insensibilidade diante dos problemas que afetam a maioria dos brasileiros permanece. Em Franca não é diferente. O presidente da Câmara Municipal, vereador Marco Garcia (PPS), acaba de assinar a autorização para a compra de um novo carro oficial. Com valor de R$ 86 mil, foi escolhido um Focus Titanium 2015, fabricado pela Ford. O veículo, que deve ser entregue em 45 dias, será preto, terá piloto e câmbios automáticos, ar condicionado, sistema de som com controle remoto no volante, direção elétrica e potência mínima de 150 cv. Para dirigi-lo foi contratado um motorista. Assim como se exige em nível federal, por aqui também se deve agir em consonância com os tempos que o País vive.
Trata-se de uma despesa desnecessária, já que o dinheiro não sai do bolso dos vereadores: sai do bolso do contribuinte, que se vê sem condições de trocar o próprio carro — e muitos estão trocando por veículos mais simples, tentando reduzir os gastos com combustíveis, manutenção e impostos. A hora é de apertar os cintos e reduzir os gastos públicos, aplicando o dinheiro na melhoria dos serviços que a população reclama. Mas para uma Câmara que diz amém a tudo que vem do Paço Municipal e que evita punir exemplarmente integrantes flagrados propondo negócios escusos ou estapeando um eleitor no plenário, não se pode esperar que as dificuldades do munícipes sejam levadas em conta em suas decisões. Trata-se de mais uma bola fora daqueles que foram eleitos para representar o francano, mas que, na prática, se preocupam apenas consigo. Com certeza, eles não conhecem História. Do contrário, pensariam duas vezes.
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