Dos minutos de pânico, apreensão e horror, restaram somente as lembranças e uma cicatriz que provavelmente não sairá. Ainda com os seis pontos na altura do pescoço por conta da facada que levou, o taxista JT, de 41 anos, mantém o tom firme de voz ao falar e não esconde o sentimento de revolta que possui a respeito do incidente que, por pouco, não terminou em tragédia.
No dia 17 de junho, ele foi abordado e covardemente agredido por um casal que havia solicitado uma corrida do Pronto Socorro “Álvaro Azzuz” até o Jardim Paulistano. Além da mulher ter cravado a faca em seu pescoço, JT ficou sob a mira de um revólver apontado pelo homem e vivenciou momentos de terror. Após a agressão, os bandidos fugiram em seu carro, que foi localizado horas depois. Porém, ainda não foram presos.
Taxista há um ano e meio, o pai de três filhos, com idades de 22, 16 e 14 anos, deixou o trabalho na área de escritório para dedicar-se ao ramo de transporte. Ele trabalha em veículo próprio e tem como ponto o PS “Álvaro Azzuz”. Mesmo com a violência, ele não pensa em parar. “Preciso do trabalho, que é minha fonte de renda”.
Como foi o assalto?
Busquei um casal no “Álvaro Azzuz” e me pediram para seguir até o Paulistano. Lá, eles anunciaram o assalto. O homem me apontou um revólver e a mulher, que estava no banco atrás de mim, enfiou a faca em meu pescoço. Minha reação foi automática. Segurei a arma e tirei a faca da mulher. Uma briga começou e senti muito medo. Ao jogar a chave do carro fora, por saber que era isso que queriam, o bandido saiu do veículo e consegui desferir dois golpes de faca na mulher, que pulou para o banco da frente. Os golpes acertaram o seio e o braço, pois ela tapou a barriga.
Qual foi a reação do casal quando você a acertou?
Ela saiu correndo e gritando pela rua. Mesmo ferido, fui atrás do marginal, que apontou a arma para mim. Não reagi mais e deixei que ele levasse o carro e o que estava dentro: R$ 400 em dinheiro e dois celulares. O golpe da mulher atingiu uma veia minha, e ficou a um centímetro da artéria carótida. Comecei a gritar para pedir ajuda e por sorte me socorreram. O carro foi recuperado horas depois no Jardim Esperança.
Qual a sensação no momento em que o assalto foi anunciado?
Quando ela cravou a faca, senti o perigo. Antes, estava mais tranquilo e não aparentei nervosismo. Só pensei em sair daquela situação logo e que nada pior aconteceria. Foi a primeira vez que fui assaltado e espero que tenha sido a última.
Três dias após o incidente, você voltou a trabalhar. Não pensou em desistir da profissão?
Não, pois é a minha fonte de renda. Preciso do trabalho e gosto do que faço. Só preciso tomar mais cuidado, mesmo não sabendo quem pode nos assaltar.
Que cuidados passou a tomar?
Posso tentar selecionar melhor as corridas. Eles, por exemplo, tinham atitudes suspeitas. Achei estranho, pois sequer o nome da rua para onde iam eles souberam me dizer. Não ia terminar a corrida, ia parar em um posto. Porém, teimei e fui contra meu instinto.
O que acha que pode ser feito para ajudar os taxistas a escaparem da violência?
Não há muito o que fazer. O patrulhamento da polícia existe. Mas temos que tomar cuidado e selecionar as corridas que pegamos. Sei que é difícil, mas temos de prezar por nossas vidas. Não devemos preocupar com discriminação. O que vale é a nossa vida.
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