Medo e apreensão dominam cotidiano de taxistas após assaltos


| Tempo de leitura: 2 min
Taxista mostra cicatriz de facada que uma mulher lhe deu no pescoço durante assalto ocorrido neste mês, motoristas temem ação de assaltantes durante corridas
Taxista mostra cicatriz de facada que uma mulher lhe deu no pescoço durante assalto ocorrido neste mês, motoristas temem ação de assaltantes durante corridas
Imagine trabalhar tendo de conviver diariamente com o medo de não voltar para casa. De algo em seu caminho acontecer e impedir que retorne para seus familiares. De ser alvo de assaltantes. Essa sensação tem predominado entre os taxistas de Franca após ocorrências de roubos à categoria. Somente nos primeiros seis meses de 2015, quase dez casos foram registrados em distritos policiais da cidade e publicados pelo Comércio. O último deles envolve um taxista de 41 anos que faria uma corrida do Pronto Socorro “Álvaro Azzuz” até o Jardim Paulistano. Ele quase se tornou um número nos índices de profissionais mortos por bandidos após ter uma faca cravada no pescoço pela passageira que transportava. Por sorte, o profissional escapou de ter ferimentos mais graves e se livrou da morte.
 
Como tentativa de evitar novas ocorrências, o taxista ELS, que trabalha há quase 18 anos na profissão e é um dos diretores da Centertáxi, tem orientado seus conhecidos a não oferecer resistência em casos de assaltos e que sejam prudentes ao transportar passageiros. “Há dez anos fui assaltado e foi horrível. Porém, me preocupo com essa sequência de assaltos que pode atingir a todos nós. Digo que devemos ter certos cuidados quando avistamos bandos de quatro ou cinco pessoas e atitudes suspeitas”, disse.
 
Há 14 anos no ramo, o taxista e presidente da Unitáxi, RCS, 33, acredita que o desemprego e falta de instrução têm contribuído para o aumento da violência. “Não tem idade para o crime. Nunca saberemos onde nem quem é e quem não é bandido. Por conta dessa violência, é até difícil encontrar quem queira trabalhar como taxista. Quando novos funcionários entram na empresa, fazemos palestras para orientar sobre como proceder”, afirmou RCS, que foi vítima de bandidos no dia 22 de março e viu marginais levarem seu carro, celulares e R$ 180. Por sorte, o veículo foi localizado horas depois e o profissional não ficou ferido no assalto.
 
Além de temer pelos companheiros, o taxista RDF, da Coopertáxi, vivenciou recentemente uma experiência difícil de esquecer. 
 
No dia 1º de maio, o homem de 51 anos foi ameaçado com um facão por três bandidos que, dias depois, foram apreendidos após uma série de crimes na cidade e contra taxistas. “A nossa polícia é eficiente. O problema está na Justiça, que permite que bandidos fiquem soltos e os números de crimes aumentem. Sinto que estamos completamente a mercê dessas pessoas e alguma coisa precisa ser feita”, disse.

Policiamento
Como forma de tentar amenizar a violência contra taxistas em Franca, a Polícia Militar tem realizado policiamento preventivo em diversos pontos de táxi durante patrulhamento pela cidade. “Também foram intensificadas as abordagens a taxistas quando no transporte de passageiros para tentar coibir prática delituosas”, informou a PM em nota.
 
Clique na imagem para ampliar:

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários