Parece unanimidade entre os estudiosos dos Evangelhos que João Batista é o mais importante personagem do cristianismo primitivo, depois de Jesus. Seu precursor, dele disse o Mestre: “Dos nascidos de mulher, João é o maior, mas, o menor no Reino dos Céus é maior que ele.” Espírito superior, Jesus referia-se a si mesmo.
Outra evidência bíblica (Lucas: 1:5) é a de que João era filho extemporâneo do casal, o sacerdote Zacarias e Isabel, ambos de idade provecta, razão da surpresa e dúvida que assaltaram Zacarias, quando, no templo, o Anjo Gabriel lhe apareceu, prenunciando a concepção e nascimento do menino, que haveria de “chamar-se João e seria grande diante do Senhor”. Zacarias, um tanto perturbado com o anúncio, emudeceu, inobstante ter sido ele mesmo a rogar a Deus lhes desse um filho.
Russell Norman Champlin, na sua substanciosa Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia, no verbete João Batista, fala sobre serem Jesus e João primos, posto que as mães, Maria e Isabel, tinham um “certo grau de parentesco”. Realmente, a informação harmoniza-se com o relato bíblico de que Isabel, ao ser saudada por Maria, que a visitava, percebeu que a criança se agitava no seu ventre, num ostensivo liame energético com o Messias que, das entranhas de Maria, nasceria seis meses depois dele. João que, movido por força estranha, adotara o mergulho em água como forma de libertar as pessoas de pecados, também batizou Jesus, mas, ele mesmo dizia que não era digno de desatar-Lhe as sandálias.
As implicações espirituais entre ambos eram antigas. Jesus, que vinha de muito antes que, sob Seus auspícios, a Terra se fizesse, confirmou a “reencarnação”, utilizando o exemplo de que João Batista houvera sido o profeta Elias. Ao dizer: “Desde o tempo de João, o Reino dos Céus é tomado pela violência...”, denuncia a velha cumplicidade entre eles: Falando de João, referia-se ao seu tempo como Elias. E Champlin diz, na obra citada, que a reencarnação de Elias como João Batista não é hipótese desprezível. Evidências causais: Elias executou, degolando, João Batista veio a ser degolado. Um e outro alimentaram-se de gafanhotos e mel silvestre, além de outras “coincidências”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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