Moradores do Capitão Heliodoro lutam por asfalto há mais de uma década


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Dentro da lista de transtornos causados pelas ruas de terra estão os buracos, a lama dos dias chuvosos e a poeira, dos secos
Dentro da lista de transtornos causados pelas ruas de terra estão os buracos, a lama dos dias chuvosos e a poeira, dos secos
Embora vivam na área urbana de Franca, os moradores do bairro Recanto Capitão Heliodoro convivem com um cenário semelhante ao rural. Há cerca de 15 anos lutam para mudar essa situação. Sem ruas asfaltadas e com vegetação onde deveriam estar as calçadas, os habitantes ainda se veem privados de serviços públicos essenciais, como transporte. “Tenho que andar cerca de um quilômetro para chegar ao Paineiras, onde fica o ponto de ônibus mais próximo”, disse a aposentada Rosalina Abadia da Silva. “E quando precisamos de táxi, a cobrança passa de R$ 16 para R$ 25 por entrar em estrada de terra. Se a chamada for à noite, o preço é ainda maior”, completou a estudante Ana Caroline de Melo. 
 
Ainda dentro da lista de transtornos causados pelas ruas de terra estão os buracos, a lama dos dias chuvosos e a poeira vermelha e densa, dos secos. “Tenho bronquite e recentemente tive pneumonia; sofro bastante com a poeira”, disse Rosalina. “É buraco que não acaba mais. Por não ter asfalto, o pessoal da redondeza ainda faz das ‘calçadas’ um lugar para despejar entulho e resto de construção”, contou o mecânico Jorge Luís do Nascimento.
 
A fim de obter melhora na qualidade de vida, há pelo menos 15 anos, grande parte dos moradores se uniram para pleitear o asfaltamento. A última ação efetiva - fora os pedidos de intervenção junto à Prefeitura e abaixo-assinados - foi procurar apoio da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). De acordo com eles, 100 das 116 chácaras endereçadas no bairro concordaram em arcar com os custos do investimento. “Em 2013, fizemos um contrato de adesão com a Emdef, mas parece que está tudo engavetado e nós queremos saber o porquê, já que a maioria concordou em pagar”, disse o autônomo Sebastião Barci. “No contrato, a previsão era para que as obras começassem em março de 2014. Mas, até agora, nada”, completou.
 
A Emdef
Procurado pela reportagem, o agente da Emdef que foi até o Capitão Heliodoro para tratar das adesões em 2013, Itamar Folhas Damas, disse que não houve número de vendas suficiente para pagar o serviço. “Não se trata do número de chácaras (que concordaram em pagar), mas do percentual de vendas que precisa cobrir o valor da obra”, disse ao explicar que o cálculo de cobrança é feito tendo como base o metro quadrado das propriedades. “Enquanto uma chácara tem 2 mil metros quadrados, outra pode ter 5 mil”, disse ele afirmando ainda que, “por enquanto”, o bairro seguirá sem asfalto. 
 
O Comércio tentou ainda contato com o presidente da Emdef, Silvio Oliveira, para falar sobre possibilidades e alternativas para o bairro, mas o mesmo informou que só poderia atender a reportagem na segunda-feira.

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