Você sente calafrios, tremores, raiva, arrepios, fobia ou pânico quando escuta ou pronuncia ‘burocracia’? Creio que todo brasileiro tenha uma experiência para contar, entre filas, atestados, procurações, carimbos, reconhecimentos de firmas, desmandos, descasos, abusos de poder, idas e vindas a cartórios e repartições tudo atrasando, engessando e atravancando a vida de pessoas físicas e jurídicas.
Não obstante as críticas, a teoria da burocracia criada pelo filósofo alemão Max Weber, em meados de 1940, tinha como objetivo a busca pela racionalização e a eficiência. Para ele,burocracia baseava-se na formulação de procedimentos e processos escritos obedecendo fluxos pré-estabelecidos e hierarquias rígidas. Talvez venham dessa formulação teórica a rigidez em seguir regras à risca, inflexibilidade em abrir concessões, e ausência de bom senso para resolver problemas.
Com a globalização do final do século, as empresas passaram a se virar em busca de produtividade e agilidade. Michael Hammer surgiu como sua ‘reengenharia’ cujo mote principal era o fim da burocracia, cortando níveis hierárquicos de maneira indiscriminada (downsizing), reduzindo, eliminando e reestruturando processos e estruturas.
Apesar da dissonância, burocracia pode ser positiva quando bem dosada. Garante transparência, registros confiáveis e padronização e gera qualidade e eficiência em organizações. Em suma, o que diferencia burocracia boa da ruim é o excesso e orientação ao cliente ou ao próprio umbigo. É aí que vivemos o pior dos mundos: excesso de burocracia e total descaso ao cidadão de um lado e fraudes, desvios e descalabros de outro. A pesada máquina do Estado fica, em resultado, cada vez mais pesada. A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem.
Marcos Morita
Executivo, professor, palestrante e consultor
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