Paciente espera mais de 40h por vaga em CTI


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Parentes da paciente internada no CTI da Santa Casa temem que ela se torne mais uma vítima de negligência em Franca
Parentes da paciente internada no CTI da Santa Casa temem que ela se torne mais uma vítima de negligência em Franca
A costureira Maria Aparecida Gonçalves Garcia, 65, está internada no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Franca, desde a manhã de ontem. Mas antes de conseguir a vaga, segundo sua família, passou por um verdadeiro calvário nos quartos do hospital e esperou mais de 40 horas por um diagnóstico correto e uma vaga no CTI.
 
De acordo com os familiares da paciente, ela foi internada na madrugada de domingo, com muitas dores, após passar por diversos atendimentos no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto e até mesmo uma internação de seis dias, da qual foi liberada sem qualquer diagnóstico. Na manhã de segunda-feira, 22, ela passou por uma cirurgia de desobstrução intestinal.
 
O cabeleireiro Johnny Rik Gonçalves da Silva, 28, sobrinho da paciente, é um dos parentes que estão acompanhando o caso da costureira desde o início. “Na segunda, depois da cirurgia, minha tia voltou lúcida para o quarto. Falando, se movimentando e com dores apenas no local da cirurgia. Ela estava bem, comeu e estava normal”, disse.
 
Segundo o sobrinho, já na terça-feira de manhã, a tia não acordou, permanecendo com os olhos fechados, sem se mover e com a boca levemente torta. “De manhã, percebemos que alguma coisa estava errada. Minha tia não acordou mais. Procuramos os médicos, que inicialmente falaram que era somente exaustão por causa da cirurgia. Não foram feitos exames, nada. Os médicos só nos diziam que estava tudo bem e os procedimentos necessários estavam sendo realizados”, completou.
 
De acordo com os familiares, depois de muita insistência, os médicos decidiram realizar um exame de tomografia, já que eles suspeitavam que ela poderia ter sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral). “Depois de insistirmos bastante, resolveram realizar um exame de tomografia na minha tia, mas aí fomos informados de outro problema. Segundo os médicos, o aparelho que realiza o exame no hospital está quebrado e seria preciso uma vaga em outro. O pior de tudo é que, de acordo com os próprios médicos, não havia vaga na UTI para internar a minha tia”, disse.
 
A irmã da paciente, Elenir Gonçalves da Silva Moraes, 49, que era uma das acompanhantes antes de ela ser transferida para o CTI, informou que os médicos chegaram a declarar que nem ao menos uma ambulância estava disponível para encaminhar Maria para o exame quando a vaga surgisse. “Eles informaram que seria necessário fazer uma higienização na ambulância antes de encaminhar a minha irmã para o exame ou mesmo para transferi-la para outro hospital, mas em nenhum momento nos informaram sobre uma previsão de quando o exame seria feito ou a transferência”, disse. “Depois que insistimos muito com os médicos e questionarmos a demora, acho que resolveram tomar uma atitude, pois quando voltamos hoje (ontem) para visitá-la, ela já havia sido encaminhada para o CTI”, completou.
 
Já na manhã de ontem os familiares foram informados que a paciente na verdade estaria com uma grave infecção, contraída após a cirurgia. “Eles demoraram mais de 48 horas para identificar uma grave infecção, que de acordo com o próprio médico foi contraída durante ou logo após a cirurgia. É um absurdo demorarem todo esse tempo para realizar esse diagnóstico simples”, disse Johnny.
 
Ainda de acordo com o sobrinho, os médicos teriam relatado que o problema é grave e a família teme que ela se torne mais uma vítima de negligência médica em Franca. “Nós estamos revoltados com essa situação. Minha tia ficou dois dias sem nenhum exame correto e, na verdade, ela estava com infecção. Agora o caso está grave e corremos o risco de que ela se torne mais uma vítima do descaso da saúde francana. Eles só nos informam que ela está em estado de coma, mas não existe previsão para que o quadro melhore”, finalizou.
 
Posicionamento
A reportagem entrou em contato diversas vezes com o setor de comunicação da Santa Casa ontem, mas até o fechamento da edição não houve retorno.
 
A Secretaria de Saúde de Franca respondeu que a responsabilidade por regular, controlar e auditar a Santa Casa de Misericórdia de Franca é da Secretaria de Estado da Saúde, através do Departamento Regional de Saúde - DRS VIII. Porém, a informação foi repassada após o fechamento do expediente, por isso não foi possível contatar a DRS em busca de um posicionamento sobre o caso.
 
 

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