Sinto imensa saudade
de desenhar letras.
O teclado prático do computador
não me deixa mais fazê-lo.
Quase me esqueci
da graça das vogais
da versatilidade das consoantes.
Ah, a maciez do caderno!
O cheirinho de papel novo!
As sílabas surgindo
De movimentos bem calculados.
Nunca gostei de letra feia.
Escrevia sempre com esmero,
contendo a pressa que
as ideias reclamam.
Ideias tendem a atropelar a mão.
Talvez porque elas é que sejam
verdadeiramente importantes e urgentes.
Bendita seja a escrita que,
no enfileirar das letras
estende um tapete vermelho
para o desfile do ideário.
Ronaldo Silva, vendedor, universitário
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