Uma demora injustificável


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Há muito tempo o setor produtivo brasileiro vinha esperando que o governo Dilma Rousseff (PT) programasse medidas no sentido de reverter os números negativos que o comércio exterior tem apresentado. Diante da falta de incentivos, que vinham sendo reclamados à exaustão, o setor produtivo brasileiro está enfrentando uma de suas piores crises, principalmente por causa do desacerto da política econômica que o governo federal manteve no primeiro mandato da presidente. Junte-se a isso a crise que vem afetando parceiros tradicionais, principalmente no âmbito do Mercosul, e a falta de um acordo de livre comércio com a comunidade europeia. Assim, veem-se com preocupação os índices da balança comercial apresentarem números cada vez mais preocupantes mês a mês.
 
Pois ontem o Planalto anunciou o PNE (Plano Nacional de Exportação), o qual prevê uma série de medidas para estimular, facilitar e expandir as exportações brasileiras. O programa possui cinco diretrizes fundamentais: acesso a mercados, promoção comercial, facilitação de comércio, financiamento e garantias e aperfeiçoamento de instrumentos e regimes tributários. Apesar de ser a sétima maior economia do mundo, o Brasil ocupa o 25º lugar no ranking de principais países exportadores, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Trata-se de um paradoxo que aclara as condições com que o setor produtivo brasileiro, principalmente o exportador, convive em termos de política econômica.
 
O que não se entende é a razão pela qual o governo demorou tanto tempo para apresentar um pacote do tipo. Esperou pela deterioração total do panorama, colocando todos os setores em compasso de espera até chegar a uma situação completamente negativa: hoje, vários setores não conseguem repetir a boa atuação de anos anteriores, sendo obrigados a fechar acordos de “lay off” (suspensão temporária dos contratos de trabalho) ou concedendo férias coletivas à maioria dos seus trabalhadores, enquanto outros precisam fechar postos de trabalho, em razão dos estoques elevados. A indústria automobilística brasileira é um bom exemplo disso, com pátios abarrotados e montadoras quase que totalmente paradas.
 
Isso tudo decorre da falta de habilidade da política externa brasileira, que não consegue prospectar novos mercados ou então ampliar os já existentes. Até parceiros tradicionais, como a Argentina — que atravessa uma grave crise econômica — estão fechando os seus mercados aos produtos brasileiros. As recentes medidas de ajuste fiscal também criaram uma situação difícil no mercado interno, que não consegue absorver a totalidade da produção excedente, criando maiores problemas. Por isso, o plano anunciado ontem, embora não determine metas de desempenho a serem atingidas, mesmo chegando tarde, é melhor do que nada. É uma chance de que o Brasil pelo menos zere suas perdas e, se possível, amplie o número de parceiros no Exterior. Caso não surta os efeitos desejados, a situação vai ficar ainda mais difícil para todos nós.
 
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