Uma violência invisível e de números expressivos tem chamado a atenção das autoridades e será tema de debate amanhã, 26, em Franca. Trata-se das agressões contra portadores de deficiência, que somente de maio de 2014 a abril deste ano teve 315 casos registrados na região. É praticamente uma ocorrência envolvendo deficientes todos os dias, segundo levantamento apresentado pela Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Os dados são referentes a 22 cidades e têm base os boletins da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (veja quadro nesta página).
São casos de lesão corporal, agressão doméstica, violência verbal, abandono e até de abuso sexual. De acordo com o levantamento, em 44,76% das ocorrências a vítima é um deficiente físico, seguido do deficiente intelectual (25,71%), visual (13,33%), auditivo (10,16%) e múltiplo (6,03%). Outro dado mostra que a maioria das vítimas é homem e branco.
“São casos que sempre aconteceram, mas agora são de conhecimento. O número, porém, pode não representar o total, porque nem todas as vítimas conseguem reportar a violência”, disse o coordenador de programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Luiz Carlos Lopes.
Para ele, a agressão muitas vezes acontece dentro de casa por alguma pessoa da família, podendo inclusive ser o cuidador, ou nas instituições e, em menor porcentagem, por estranhos.
“Há agressor que age por desequilíbrio e outros em consequência de estresse do cuidado, do adoecimento psíquico e também em razão do fator econômico, pois muitas pessoas deixam o trabalho para cuidar do portador de deficiência”, disse Lopes.
Devido à gravidade e à dificuldade desses casos chegarem até os órgãos competentes, a Secretaria tem trabalhado uma série de ações para prevenir e enfrentar essa questão. Uma dessas iniciativas é a 6ª edição da Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania que nesta sexta-feira será realizada em Franca, no auditório do Senai, na avenida Presidente Vargas, das 9h30 às 17 horas.
O encontro será aberto com um desfile de moda inclusiva com alunos da Apae Franca que mostrarão roupas confeccionadas para facilitar o cotidiano da pessoa com deficiência.
O debate regional sobre o tema terá mais ênfase no período da tarde e pretende reunir educadores, assistentes sociais, profissionais da saúde, policiais civis e militares.
“Será uma espécie de capacitação voltada para o servidor público que orientará sobre como identificar e atender casos de violência contra o portador de deficiência”, adiantou Luiz Carlos Lopes.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.