Justiça bloqueia bens de secretário e quebra sigilo de réus em ação


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Acusado de participar do esquema de fraudes, secretário de Planejamento, Nicola Rossano Costa, teve os bens bloqueados
Acusado de participar do esquema de fraudes, secretário de Planejamento, Nicola Rossano Costa, teve os bens bloqueados
A Justiça decretou nesta terça-feira o bloqueio de bens do secretário municipal de Planejamento, Nicola Rossano Costa, e de mais dois envolvidos no esquema de desvio de recursos e materiais da construção de quatro creches em Franca. Além do bloqueio, o juiz Aurélio Miguel Pena, da Vara da Fazenda Pública, ainda determinou a quebra de sigilos fiscal e bancário dos três e de mais nove réus na ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Estado para ressarcir os cofres municipais e punir os responsáveis. A decisão é em caráter liminar.
 
De acordo com as denúncias, engenheiros fiscais da Prefeitura e funcionários da FFC Engenharia e Construções teriam forjado planilhas de medição com materiais e serviços não entregues ou realizados na construção das quatro unidades. Com base nas planilhas adulteradas, a Prefeitura teria pago mais de R$ 565 mil indevidamente à empresa.
 
Segundo o Ministério Público, o esquema contaria com a conivência do secretário Nicola Rossano e do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). 
 
O pedido de indisponibilidade de bens e de quebra de sigilos foi formulado em março pelo promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges, responsável pela ação. Nele, o nome do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) também foi incluído. Mas na decisão publicada nessa terça-feira, o juiz entendeu que não há provas suficientes do envolvimento do prefeito. “A inferência sobre ciência e a participação de Alexandre Ferreira nos atos de improbidade se revela tênue e incapaz de permitir a pronta e imediata investida em seu patrimônio e sigilos bancários e fiscais”, escreveu o magistrado.
 
Meio milhão
O bloqueio de bens foi feito no valor de R$ 565,6 mil, mesmo montante apontado pelo Ministério Público como desviado pelo esquema de medições falsas nas obras das creches. 
 
Além de Nicola, a decisão de indisponibilidade atinge o engenheiro e fiscal da Prefeitura José Rafael Oliveira Pereira da Rosa, apontado como o responsável por assinar as planilhas falsas e repassá-las a Nicola, e Darci Ferreira da Silva, engenheiro da FFC Engenharia e Construções, que seria o responsável por forjar os documentos e os encaminhar a Rafael. 
 
“A indisponibilidade de bens serve como garantia ao ressarcimento do erário público no vencimento da ação”, afirmou o magistrado. Com o bloqueio, os três ficam proibidos de vender ou transferir bens e de movimentar suas contas bancárias.
 
Segundo o juiz, a quebra de sigilos fiscal e bancário foi deferida por ser necessária para “esclarecer o recebimento de propinas”. Tiveram seus sigilos quebrados: os três já citados, Gilcelene Leite Nicolau (ex-chefe de Fiscalização de Obras da Prefeitura e mulher de Darci); Jonatas Roberto Fonseca, dono da empresa Grupo J; Mauro Pimentel, um subempreiteiro contratado pela FFC; José Eduardo Corrêa, dono da FFC; seu filho Rafael Franceschi Corrêa; e Leandro Coelho Silva Freitas, fiscal da Prefeitura que também teria participado do esquema, além das empresas Grupo J, FFC Engenharia e Construtora Franceschi Corrêa (pertencente ao filho de José Eduardo).
 
Envolvidos
No início da noite de ontem, quando tomou ciência da decisão judicial, o Comércio da Franca procurou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura para comentar o assunto, mas ninguém atendeu ao telefone. O secretário de Planejamento, Nicola Rossano, também foi procurado, mas seu celular estava desligado. 

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