É claro o descontentamento da maioria da população brasileira com o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). Porém, não são apenas as medidas impopulares que ela tomou logo após ser reeleita, embora tenha garantido que seus adversários é que reduziriam direitos trabalhistas, aumentariam impostos e a taxa de juros e promoveriam um tarifaço, além de deixar a inflação explodir. Porém, o mais grave é a escalada das notícias diárias dando conta dos passos da Operação Lava Jato, que hoje chega perigosamente perto da presidente, de alguns de seus assessores mais diretos e de seu mentor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este último garantiu que ele e sua sucessora ‘já estão no volume morto’, dando a entender que podem ser atingidos pela investigação que apura a corrupção na Petrobras, tendo colocado na cadeia executivos das principais empreiteiras do País.
O brasileiro, que tem visto o aprofundamento do caos na saúde pública, a deterioração do Ensino e o desemprego crescente, liga cada vez mais o governo e sua base aliada ao desvio de verbas, que pode ser maior do que o apurado até agora, atingindo outros setores da administração federal. Prova disso é o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no último final de semana, segundo a qual a avaliação da presidente Dilma Rousseff é considerada ruim ou péssima para 65% do eleitorado. O porcentual é um novo recorde na série histórica do instituto desde janeiro de 2011, quando Dilma começou seu primeiro mandato.
De acordo com o levantamento, essa taxa de reprovação é a pior desde os 68% de ruim ou péssimo alcançados pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello em setembro de 1992, a poucos dias antes de seu impeachment. A presidente vive hoje uma situação que pode se tornar ainda pior, ainda mais quando se sabe que houve um aumento recorde na inadimplência, principalmente entre os consumidores de serviços básicos, como água e luz, que estão registrando aumentos nas contas mensais. Por causa disso, opta-se por não pagar a conta para não atrasar o aluguel e manter as despesas com comida e itens de higiene.
Caso o Planalto não consiga reverter a situação com o ajuste fiscal, a questão vai se tornar mais séria, pois novas medidas terão que ser tomadas e, com certeza, vão exigir ainda mais do contribuinte, pois não há intenção de se cortar despesas correntes como o custo da inchada máquina administrativa federal e do Congresso. Dilma Rousseff corre o risco de não conseguir nem levar a termo o seu governo, não apenas em razão da corrupção, mas também por causa das “pedaladas” fiscais dos últimos anos, quando precisou lançar mão de uma chamada contabilidade criativa para ater-se dentro do que rege a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mesmo contando com uma ampla base aliada, pode ver-se só com o seu PT, ainda mais que o PMDB, na iminência de ver seu presidente, Michel Temer, assumir o comando do País, pode simplesmente abandonar o barco. Com o governo petista descendo ladeira abaixo, esta é uma hipótese que já não é descartada.
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