Paixão pela palavra


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Os escritores francanos Luiz Cruz, Paulo Gimenes, Vanessa Maranha  e Sonia Machiavelli discorreram sobre literatura no último sábado, 20
Os escritores francanos Luiz Cruz, Paulo Gimenes, Vanessa Maranha e Sonia Machiavelli discorreram sobre literatura no último sábado, 20
Na 15ª edição da Feira Nacional do Livro - Ribeirão Preto, discussões sobre o passado, presente e futuro da literatura tiveram papel predominante entre os participantes do encontro, realizado entre os dias 14 e 21 de junho. Tendo como tema principal O Encontro dos Tempos. Novos Olhares Sobre o Passado, o Presente e o Futuro dezenas de escritores, jornalistas, leitores e entusiastas se encontraram na feira que é considerada uma das sete maiores da América Latina.
 
Participando pela terceira vez consecutiva do evento, no último sábado, 20, com a sala repleta de espectadores, a escritora, jornalista e presidente do Conselho Consultivo do GCN, Sonia Machiavelli, mediou um debate sobre a Literatura fora dos grandes centros urbanos- produção, publicação, visibilidade. Os escritores Luiz Cruz de Oliveira, Paulo Gimenes, Vanessa Maranha e a jornalista falaram sobre o assunto durante uma hora e tanto registraram aspectos da literatura local como sinalizaram as dificuldades do mercado editorial. O futuro do livro enquanto objeto de impressão também foi abordado durante a discussão.
 
Com versos de Batuque, do poeta Carlos de Assumpção, Cruz falou sobre a paixão que move o escritor e sobre as dificuldades fora dos grandes centros. “As dificuldades existem, mas é possível superá-las. Acredito que o escritor deve criar, sem a preocupação do reconhecimento imediato da obra. Esse processo é consequência”, disse.
 
“Houve um tempo em que os professores do ensino fundamental e médio só adotavam livros de escritores da cidade. Ou pelo menos quando indicavam livros da literatura brasileira eram de escritores francanos. O costume hoje não existe mais, mas acredito que esse seja o caminho correto para divulgar os escritores da cidade”, completou o escritor. 
 
Com quatro obras publicadas Paulo Gimenes se declara um apaixonado pela literatura e mantém a esperança em que o futuro seja cada dia mais promissor para os escritores, principalmente com a conquista de novos leitores. “Sempre é possível superar as dificuldades. Com certeza temos um trabalho um pouco mais árduo do que os escritores dos grandes centros, que contam com o apoio das grandes editoras, mas a esperança de superar essas dificuldades é constante. Temos uma profissão apaixonante e é com isso que trabalhamos”, disse.
 
Vanessa Maranha abordou o assunto de uma forma que domina bem: escrevendo. Com algumas páginas nas mãos a escritora realizou a leitura de textos próprios que escreveu sobre o tema proposto. “Sempre repito aonde quer que eu vá, que creio que a literatura seja uma espécie de antidoto contra todo o tipo de demagogia e penso que devemos festejar que estamos hoje aqui e celebrar a nossa fé na literatura”, disse.
 
O futuro do livro foi um dos questionamentos levantados durante o debate. Apesar do crescimento da leitura por meios digitais, os escritores foram unânimes ao concordar que acreditam que os livros impressos continuarão a existir por algum tempo e, depois, poderão dividir espaço com os digitais.
 
“Foi uma ótima oportunidade para divulgarmos a literatura francana. Poucas cidades do interior foram convidadas para esta discussão; por isso considero um privilégio estar aqui com colegas a quem admiro falando sobre livros e escritores que compuseram até aqui nossa história literária. É importante contar nossas singularidades, entraves, desafios, mas também nossa alegria de escrever. A dificuldade para divulgar um livro, conquistar um segmento de leitores, ganhar visibilidade não faz parte apenas da vida cultural francana, é decorrência de políticas equivocadas desde Brasília e desde muito tempo. Mas aos impedimentos e indiferenças do poder público e de outros pretensos poderes, se contrapõe o registro da paixão que todos nós- Paulo, Cruz, Vanessa e outros tantos escritores de Franca- temos em escrever. Acho que expressar para o público a sensação gratificante do ato criador, do fazer literário, é essencial”, disse Sonia Machiavelli logo após o encerramento das discussões.
 
De acordo com o vice-presidente da Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto, Nelson Jacintho, a feira é essencial para divulgar e estimular a leitura de obras de escritores da região. “Esse evento é extremamente importante para os escritores. Efetivamente mais de 100 escritores de Ribeirão e região, incluindo Franca, participaram da Feira do Livro. Essa troca de experiências é importantíssima. O saldo deste ano é extremamente positivo”, disse. 
 
Academia de Artes
Cerca de 30 alunos e 8 voluntários da Academia de Artes, ONG mantida pelo GCN e seus colaboradores, participaram no sábado de uma visita especial à Feira do Livro de Ribeirão Preto.
 
Acompanhadas de Sandra Machiavelli do Carmo, coordenadora pedagógica da Academia de Artes, e de Ilda Xavier Bieli, secretária administrativa, as crianças visitaram a grande, bela e expressiva exposição do SESC, Tirando de Letra, homenagem ao escritor de livros para crianças, André Neves. Na exposição com ricos elementos lúdicos, o ato de criação foi mostrado desde a folha branca de papel, passando pelos processos mentais de associação de ideias e outros, líricos ou puramente sinestésicos. Ainda no SESC as crianças foram gentilmente convidadas para uma sessão de contação de história. Depois se deslocaram à praça XV, onde centenas de barracas de livros eram uma tentação ao manuseio e à compra. A excursão a Ribeirão encerrou-se com um lanche no Novo Shopping.

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