Mães se unem e criam grupo para humanizar partos em Franca


| Tempo de leitura: 4 min
Adelita Monteiro, Alilia de Andrade, seu bebê, e a doula Clara Carolina incentivam partos humanizados
Adelita Monteiro, Alilia de Andrade, seu bebê, e a doula Clara Carolina incentivam partos humanizados
Experiências decepcionantes, e em alguns casos até mesmo traumáticas, motivaram três francanas a se unirem pelo direito das mulheres conhecerem os benefícios e riscos do parto normal, humanizado (parto natural, sem intervenções) e cesárea. Juntas elas criaram o Premaf (Parto com Respeito e Maternidade Ativa de Franca), que busca o apoio de médicos e equipes de enfermagem para que todos os procedimentos possam ser realizados nos hospitais da cidade, dependendo apenas do desejo da grávida.
 
Uma cesárea, um parto normal com intervenções e um parto humanizado. A cirurgiã dentista Alilia Braga de Andrade, 29, passou por três experiências completamente diversas nos nascimentos de seus filhos. Aos 21 anos, grávida de primeira viagem, optou por realizar uma cesárea depois que seu médico defendeu o procedimento. Sem dor, com hora marcada e nenhuma participação efetiva no nascimento da filha. “Não me senti feliz com a cesárea. No momento da cirurgia não senti dor, mas depois sim. Não participei efetivamente do parto e isso me deixou bastante triste. Além disso, não fui informada sobre os riscos que a cirurgia tem”, disse.
 
Cinco anos depois ela voltou a engravidar e o desejo era que dessa vez o parto fosse normal. “Decidi que tentaria o parto normal, mas o médico do meu convênio não aceitou nem ao menos tentar. Recorri a Santa Casa e lá, apesar de conseguir o normal, sofri todas as intervenções que são realizadas normalmente nesses procedimentos”, disse. “Tive minha bolsa rompida e a indução de aceleração das contrações com a oxitocina. Novamente me senti frustrada. Meu filho deveria ter nascido no seu tempo e sem nenhuma intervenção”.
 
Depois do nascimento do segundo filho, ela decidiu que se tivesse outra oportunidade realizaria o parto humanizado. Dois anos depois do segundo filho ela engravidou pela terceira vez. “Durante toda essa gravidez me preparei para ter o parto humanizado. Contei com uma doula (profissional que acompanha todo o procedimento). Meu bebê nasceu no momento em que deveria, não usei nenhum método para acelerar o processo de nascimento. Pela primeira vez me senti completamente realizada com o parto”, disse.
 
Foi antes do terceiro parto que Alilia conheceu a psicóloga Adelita Monteiro, 36, que indicou o hospital onde ela teve seu terceiro parto, realizado em São Carlos. De acordo com a dentista, nenhum hospital de Franca aceitou realizar o procedimento.
 
Mãe de dois filhos, um de parto normal e outro humanizado, Adelita, que morou durante alguns anos na Irlanda, teve sua primeira filha no exterior. Lá, disse que sofreu todas as intervenções, que, segundo ela, são invasivas, para o parto normal. “Não tinha conhecimento algum sobre partos. Cheguei, recebi a oxitocina, a anestesia e me senti extremamente frustrada. O parto demorou demais e por quatro meses senti dores”, disse.
 
Dois anos depois, em 2014 e já no Brasil, a psicóloga, que hoje é especializada em preparação e orientação para o parto humanizado, realizou o desejo de ter seu filho da forma mais natural possível. “Dessa vez meu filho nasceu no seu próprio tempo. Estive acompanhada do meu marido, mãe e a doula e fui a protagonista do parto. Decidi exatamente a forma que desejava que ele viesse ao mundo. É isso que desejamos para outras mulheres”, disse.
 
A enfermeira Clara Carolina Portela Leonard, 27, sempre foi apaixonada pelo universo da obstetrícia. Depois de passar pela experiência de um parto normal, no nascimento de seu único filho, decidiu realizar um curso de doula, mulheres que oferecem suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto. “Já acompanhei dezenas de partos, entre o curso de doula e a pós-graduação que fiz, mas o único totalmente humanizado foi o da Alilia. Em Franca, ainda existe pouca procura devido a falta de informação e as barreiras encontradas, já que nenhum hospital ainda realiza o parto humanizado na cidade”, disse a doula.
 
Premaf
Com o Premaf, Adelita, Alilia e Clara buscam demonstrar os benefícios do parto humanizado e conseguir apoiadores para o procedimento na cidade. “Cesárea, normal e humanizado. Cada um tem suas características e na maioria das vezes a mulher é induzida a decidir baseada somente em mitos e mentiras. Toda mulher tem o direito de decidir como seu filho virá ao mundo. Mas para realmente fazer essa escolha ela deve receber a informação correta”, disse a psicóloga.
 
Entre as ações que serão realizadas pelo grupo estão apresentações do filme O renascimento do parto em na cidade, visitas à UBSs (Unidades Básicas de Saúde), debates em cursos de gestantes e a criação de um Conselho, formado por médicos, enfermeiras, doulas e gestantes, voltado para a discussão da vinda do parto humanizado para Franca. Ainda para esse ano o grupo pretende realizar o “Mamaço”, quando serão dadas informações sobre o parto natural e humanizado.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários