ONG Dentistas do Bem atende 400 crianças em Franca e busca voluntários


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O casal de dentistas Ernane Virgílio Fernandes e Karen Barreto Amaral atendem Jennifer Miranda pelo projeto Dentistas do Bem
O casal de dentistas Ernane Virgílio Fernandes e Karen Barreto Amaral atendem Jennifer Miranda pelo projeto Dentistas do Bem
Trazido para Franca pelo dentista Ernane Virgílio Fernandes, 45, o projeto Dentista do Bem completa 13 anos oferecendo tratamento dentário gratuito para cerca de 400 crianças carentes na cidade. A equipe conta hoje com 57 voluntários. O projeto faz parte da ONG Turma do Bem e está à procura de novos voluntários na cidade. 
 
Atualmente, Ernane é coordenador regional do projeto e acompanha dez crianças junto com sua mulher Karen Barreto Amaral, 36, que também é dentista. “Restabelecer sorrisos e poder tirar a dor de dente das pessoas é algo que me traz muita satisfação. Ver a criança e os pais sorrirem novamente significa muito para mim”, afirmou ele. Para Karen, a iniciativa faz parte da vida profissional dos dois. “A gente tem que dar um retorno daquilo que a gente recebe”, disse ela.
 
O projeto está presente em todo o Brasil e mais dez países da América do Sul e também em Portugal, segundo Ernane. A ONG Turma do Bem beneficia com suas iniciativas cerca de 43 mil crianças com tratamentos dentários, por meio de 15 mil dentistas.
 
A seleção das crianças é feita a partir de uma triagem em escolas, onde os alunos preenchem um cadastro socioeconômico. Na etapa seguinte é realizada nova avaliação para levantar os problemas e necessidades de cada criança. A maior parte precisa usar aparelho dentário. “Aplicamos um questionário e uma das perguntas é se a pessoa sente dores. Se tiver, acrescentamos a observação ‘urgente ou urgentíssimo’ no cadastro, quando a situação é crítica para agilizarmos o atendimento”, afirmou o dentista.
 
Jennifer Aparecida da Silva Miranda, 14, é uma das crianças escolhidas após uma triagem na Escola Estadual “Otávio Martins de Souza”. Ela está passando por tratamento de canal e restaurações por causa de cáries, desde o começo do ano. “Achei muito bom ter essa oportunidade porque para minha família ficaria complicado pagar pelo tratamento. Eu tinha um dente quebrado na parte da frente desde que sofri um acidente de carro e eu sentia vergonha disso. Os dentistas consertaram”, disse a paciente.
 
Voluntários
O atendimento é oferecido para crianças entre 11 e 17 anos e, segundo Ernane, a demanda de crianças é grande em Franca, mas conseguir voluntários é bastante difícil. Ele divide seu tempo entre os atendimentos pagos e o trabalho social. “Poderíamos atender cerca de mil crianças por ano, mas muitos profissionais acham que se atenderem uma criança de graça eles vão falir. Muitas pessoas não têm amor no coração, têm dinheiro”.
 
Quem quiser fazer doações e conhecer o projeto pode entrar no site turmadobem.org.br. O mínimo a ser doado é R$ 12 mensais, com esse valor uma criança é encaminhada para tratamento completo. Dentistas que queiram ser voluntários podem entrar em contato com Ernane pelo telefone (16) 3723-8793.
 
História
O primeiro “dentista do bem” foi um profissional de São Paulo chamado Paulo Fábio Bibanco. “As pessoas pediam muito tratamento de graça em seu consultório, então ele e um grupo de amigos resolveram atender algumas crianças. No primeiro encontro da ONG em que eu estive, havia 25 dentistas e hoje somos em 15 mil no país”, disse Ernane.
 
O dentista também já tentava contribuir com as pessoas mais carentes antes de fazer parte da ONG, atendendo de graça crianças que vendiam balas nas ruas. “Elas vinham oferecer doces aqui no consultório, mas em vez de eu comprar a bala, eu oferecia o tratamento dentário”, contou.
 
A própria história de Ernane contribuiu para essa vontade de ajudar. Ele nasceu em Guanhães (MG). “Sou de uma família humilde. Fiquei sem o dente da frente parte da minha juventude, porque quebrei. O que eu passei com dor de dente e falta de tratamento, não desejo para ninguém”, disse. “Na época em que vivi, a solução para muitos era tirar dentes ao em vez de tratar e isso acontece até hoje”.

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