A linda e real história de amor, registrada aqui no Comércio de domingo, como referência pelo Dia dos Namorados, tendo como personagens um casal que completa 50 anos de união, tem ainda outros importantes ingredientes. O que mais chama a atenção, realmente, é o fato do sr. Nélson Caetano, 85, jamais deixar um dia sem visitar sua esposa, Lourdes Maria Alves Caetano, 74, internada no Lar São Vicente de Paulo, em consequência do Alzheimer. Essa atitude dele deveria ser comum, porém é raríssima. Basta conversar com alguém que trabalha numa dessas casas de repouso, para ouvir relatos até revoltantes de abandono a pessoas muito próximas, como mãe, pai, esposa. Por coincidência, além da história desse casal, o calendário destacou no começo desta última semana, um Dia de Combate à Violência contra o Idoso. E certamente, a violência contra o idoso não se resume à agressão física, mas principalmente ao desrespeito e abandono dos que estão no ocaso da vida, depois de trabalhar duramente e ter contribuído para educar e formar os que agora o ignoram. São muitos casos de idosos levados até esses lares, para nunca mais receber uma visita, que esperam como o melhor presente. O sr. Nélson cumpre fielmente a promessa feita ao se unir com Luluca, de estar ao lado dela, não só na alegria e na saúde, mas na tristeza e na doença. E quantos nem se lembram mais daquele ente querido, que ali ficou apenas esperando, na solidão, a morte chegar. E se o abandono for de um pai ou mãe, reflita no pensamento: “Feliz de quem ainda pode virar pai de seu pai, ou mãe de sua mãe e de se despedir deles várias vezes em vida”.
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