Acometida de enfermidade degenerativa, a chilena Valentina Maureira, de apenas 14 anos, inobstante a eutanásia e o suicídio assistido não sejam permitidos no seu país, apela para que a presidente, Michelle Bachelet, a autorize receber injeção letal que, no seu entendimento, lhe poria fim ao sofrimento.
Pragmático, o desejo da adolescente pode resultar de desconhecimento ou desconsideração quanto ao aspecto espiritual, que se lhe afigura essência da vida em experiência indispensável. Se a lógica aponta para a sobrevivência da alma, ao menos pelos 50% de possibilidade matemática de que ela exista, é, justamente, pela necessidade do corpo físico e suas injunções redentoras, que, do ponto de vista moral, a eutanásia e a ortotanásia representam infração às leis naturais, sem que ofereçam o resultado desejado.
A Doutrina Espírita nos assegura que cada reencarnação representa-nos atendimento a clamor da consciência, justamente em sofrimentos que lhe resgatem débitos incômodos, assim como lhe promove a evolução até que a desobrigue de reencarnar, para, efetivamente tranquila e feliz, evoluir ao infinito.
Também nos revelam os luminares da espiritualidade que a psicosfera terrestre se constitui de cerca de 24 bilhões de espíritos, encarnados e desencarnados, os quais se diversificam entre os mais inferiores e os missionários de luz, todos com igual direito de acessar os ensinos dignificantes do Mestre Jesus. Os superiores também passaram por sofrimentos a alavancar-lhes a evolução. Hoje, se comprazem em amparar os mansos de coração que lhes facilita a incursão no mundo íntimo, amenizando-lhes o sofrimento preciso ou aumentando-lhes a resignação para bem suportá-lo.
O perdão incondicional e a prática da verdadeira caridade são pressupostos para a saúde do corpo e do espírito, o que nos lembra Gandhi: ‘Nenhum mal nos advém que não seja por nossa própria conta’.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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